Azevedo, Alexandre de Sousa
[N. Monção, c. 1620- m. ibid., c. 1700] Quase tudo o que se sabe da sua biografia foi-nos transmitido pelo Pe. Maldonado na sua Fenix Angrence, que transcreve a patente de nomeação de Sousa Azevedo como governador do Castelo de S. João Baptista na cidade de Angra, na qual se registam as façanhas do nomeado. Muito jovem, serviu na praça de Monção, onde seu irmão mais velho era governador. Foi herói da Guerra da Restauração, distinguindo-se nas campanhas nas fronteiras do Norte e da Beira. Promovido a capitão de Infantaria, passou a capitão de cavalos, posto em que se encontrava quando se celebrou a paz com Espanha, em 1668. Fixou-se então na corte, onde recebeu a mercê de fidalgo da Casa Real e foi provido em capitão-mor de Paraíba, no Brasil, onde enriqueceu «licitamente», diz o biógrafo, passando aí cinco anos. Agraciado com o título de conselheiro, com mercê de 600 mil reis de ajuda de custo. Em 1687 foi então nomeado governador do Castelo de S. João Baptista, em Angra, tomando posse a 23 de Junho, com soldo mensal de 50 mil réis. Maldonado, que o conheceu e serviu sob as suas ordens, testemunha que foi um governador muito prudente e deixou saudades por «não se intrometer em nada que tocasse à República Angrence». Fez obras importantes no castelo, zelou pela igreja da fortaleza e disciplinou as confrarias. Governou 3 anos e 4 meses, mas só saiu da ilha no ano de 1691, rico e prestigiado. Viveu ainda na corte, até cerca de 1700, quando se retirou para Monção, onde morreu. J. G. Reis Leite (Jul.1998)
Bibl. Instituto de Arquivos Nacionais / Torre do Tombo (Lisboa), Chancelaria de D. Afonso VI, Mercês, liv. 32, fl. 117 (carta de capitão-mor de Paraíba). Id., Chancelaria de D. Pedro II, Mercês, liv. 17, fl. 365 (carta do título de conselheiro). Maldonado, M. L. (1990), Fenix Angrence. Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira: II.
