Azeredo, Francisco de Paula
(1.º visconde e 1.º conde de Samodães) Fez estudos preparatórios para a carreira eclesiástica e matriculou-se na Universidade de Coimbra, no curso de Direito, mas, desistindo deste, assentou praça no Regimento de Infantaria 23, em Almeida, em 1791. Alferes em 1797, tenente em 1805, capitão em 1809, major em 1812, tenente-coronel em 1813, coronel em 1815 (Divisão dos Voluntários Reais dEl-Rei), brigadeiro provisório em 1818 e efectivo em 1820, marechal-de-campo provisório em 1826 e efectivo em 1833, tenente-general em 1834.
Fez as campanhas da Guerra Peninsular desde 1801 a 1814, participando no Cerco de Badajoz e nas Batalhas de Salamanca e Vitória. Distinguiu-se nesta última, sendo ferido, condecorado e graduado em tenente-coronel. Esteve no Brasil, na guerra de Montevideu e Rio da Prata, de 1816 a 1820. Teve o governo das armas da Beira Baixa em 1821, governador da praça de Almada em 1823, do Forte da Graça, em Elvas, em 1824, e o governo de armas da Beira Alta em 1826 e 1834.
Apoiante de D. João VI, depois da morte do rei foi defensor da situação centrista, sendo perseguido pelo governo de D. Miguel, acabando por emigrar para Inglaterra em 1828. Na Bélgica, comandou, por pouco tempo, o depósito de emigrados de Ostende. Acompanhou D. Pedro aos Açores e aí foi encarregado do governo militar em Angra, na ausência de Vila-Flor. Quando D. Pedro partiu para S. Miguel, em 1832, ficou governador da Terceira. Sabendo que o regente não o incorporava no exército libertador pediu a dispensa como oficial general e alistou-se como soldado para acompanhar a expedição, como realmente fez.
Em 1834, foi eleito deputado pela Beira Alta. Opôs-se à Revolução de Setembro, sendo perseguido. Apoiou a Revolta dos Marechais e em 1842, activamente, a restauração da Carta, e por isso foi preso, em Lamego, em 1847. Nomeado presidente do Supremo Conselho de Justiça Militar. Em 1851, contudo, não apoiou Saldanha no golpe da Regeneração.
Do Conselho de S. M. F., grã-cruz da Ordem de Avis, comendador de Cristo, cavaleiro da Torre e Espada, medalhas, n.º 5 da Guerra Peninsular, campanhas de Montevideu, Batalha de Salamanca e assalto a Badajoz, cruz de ouro inglesa e medalha espanhola da Vitória, visconde de Samodães, por decreto de 20. 5.1835 e conde por decreto de 26. 7.1842. J. G. Reis Leite (Jul.1998)
Bibl. Arquivo Histórico Militar (Lisboa), Cx. 1837. Nobreza de Portugal (1961), Lisboa, Iniciativas Editoriais, III: 275.
