azenha
Do árabe as-saniâ, é um moinho de água de roda vertical, referenciado já na documentação medieval, onde a primeira alusão a uma azenha illas acenias se encontra registada num documento de 1087.
Tecnicamente, podemos considerar nas azenhas dois tipos bem definidos: as de propulsão superior, ou azenhas de copos, copeiras ou de queda, e as de propulsão inferior, ou azenhas de palheta, de rio ou de corrente. O sistema de moagem é idêntico nestes dois tipos, variando apenas o sistema de condução das águas, a dimensão das rodas ou ainda o modo como se articulam todos os elementos que as compõem. Nas azenhas copeiras, a roda fica inserida a um nível inferior à queda de água, caindo esta directamente nos copos que bordejam toda a periferia da roda. Trabalham com um pequeno volume de água. Nas azenhas de rio, a roda encontra-se instalada de forma a que a água corra sobre ela, empurrando as palhetas que se encontram dispostas radialmente.
Nos Açores, o engenho hidráulico adoptado na moagem, referenciado desde os primórdios do povoamento e que ainda hoje continua a funcionar, é exactamente a azenha de grande roda de madeira vertical, impulsionada por um pequeno caudal de água, conduzido já na parte final por uma caleira também de madeira. A força da água que cai nas penas e vai enchendo os copos transmite movimento a um eixo horizontal, que através de uma engrenagem vai fazer girar, já no interior da casa, um outro eixo vertical onde se encontra a mó de baixo, fixa. O grão é moído por percussão oblíqua e a qualidade da farinha é determinada pela regulação da distância que separa a andadeira (pedra móvel superior) do pouso (pedra fixa).
Encontram-se registos de azenhas instaladas nos cursos de água de todas as ilhas, à excepção do Pico. É, no entanto, em S. Miguel (Ribeira Grande e Vila Franca) e na Terceira (Ribeira da Cidade e Agualva) que foi instalado o maior número de azenhas. Elizabeth Cabral (Abr.1998)
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