Ávila, Mateus João de Bettencourt e Vasconcelos Correia e

[N. Angra, ? – m. Lisboa, 1768] De uma família das mais importantes da aristocracia angrense foi fidalgo cavaleiro da Casa Real, por alvará de 29 de Junho de 1724 e ocupou o cargo de provedor dos resíduos, órfãos e capelas e mamposteiro-mor dos cativos, por carta de 27 de Janeiro de 1744. Este importante ofício da burocracia régia na Terceira era desde a sua criação, cerca de 1530, propriedade da sua família.

Andou implicado no motim de 1757 originado pela exportação de trigo que os procuradores da Junta do Comércio pretendiam fazer sair da ilha, quando o juiz do povo o impediu alegando que esse trigo era indispensável localmente. Acabou o motim na prisão dos amotinados que foram encerrados no Limoeiro. Em 1761 foram-lhe tomadas contas na Provedoria, por haver suspeitas de irregularidades, acabando por lhe ser retirada a Provedoria em 1763, nas vésperas das reformas pombalinas e incorporada na *Corregedoria. Chegara ao fim o ofício de provedor dos resíduos.

Manteve fortes desentendimentos com o capitão-mor de Angra, Manuel Homem da Costa Noronha, homem de mão do futuro marquês de Pombal, que recebeu ordem para prender o provedor como efectivamente fez, depois de várias peripécias. Suicidou-se no Limoeiro. J. G. Reis Leite (2006)

Bibl. Mendes, A. M. O. O. (1971), Anotações às três primeiras séries de cartas do 1.º capitão-general dos Açores, D. Antão de Almada. Arquivo Açoriano. Lisboa, Ed. de Victor Hugo Forjaz, XVI, parte 1.ª: 203.