Ávila, José de

[N. Silveira, Santíssima Trindade, Lajes do Pico, ilha do Pico, 9.10.1895 - m. Lisboa, 4.12.1977] Foi ordenado sacerdote a 20.6.1920, na Sé Catedral de Angra, de que, mais tarde, haveria de ser beneficiado. Prefeito, desde 1921, do Seminário Episcopal de Angra do Heroísmo, onde fez a sua formação, ali foi também professor de música, até 1950, funções que acumulou com as de professor da mesma disciplina no Liceu Padre Jerónimo Emiliano de Andrade, onde passou à efectividade em 1941, logo que concluído, em Lisboa, o curso do Conservatório Nacional. Erudito e viajado, considerado o mais notável condutor de coros de sempre, no arquipélago, foi autor de numerosos arranjos de música polifónica, cujas partituras adquiria nas suas frequentes deslocações ao estrangeiro, particularmente aos Estados Unidos. Ficam para a história da música nos Açores não só as apresentações, pelo Orfeão do Seminário, de um vasto leque de composições de carácter pré-clássico e clássico jamais executadas no arquipélago, mas também as liturgias cantadas, designadamente na Sé, pela capela do mesmo estabelecimento de ensino religioso, constituída por elementos seleccionados do referido orfeão. A sua intervenção foi particularmente notável quando dirigiu, em Lisboa, o grande orfeão das Comemorações Centenárias de 1940 e, bem assim, nas manifestações de carácter musical que tiveram lugar na Fortaleza de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo, por ocasião da visita do presidente da República general António Óscar de Fragoso Carmona, em 30.7.1941. Assistente, nesta cidade, dos Escuteiros e das Guias de Portugal, passou a assistente distrital da Mocidade Portuguesa, logo que o movimento foi organizado. Publicou O canto em coro, em Estudo e Acção (Palestras), Ponta Delgada, 1944, pp. 141-49. Emanuel Félix (Dez.1996)