Ávila e Bolama
(António José de Ávila, 1.º conde de Ávila, 1.º marquês e único duque de ...) [N. Horta, 8.3.1807 - m. Lisboa, 3.5.1881] De uma modestíssima família hortense, pode considerar-se o paradigma do sucesso da inteligência e vontade na sociedade liberal. Foi estudar para Coimbra aos 15 anos, sendo bacharel em Filosofia em 1825. Regressou aos Açores, onde ocupou na Horta o lugar de professor de Filosofia Racional e Moral, animando então o meio cultural na sua cidade. Já liberal, e querendo continuar os estudos, agora em Medicina, foi para Paris. Regressou à Horta nos tempos das lutas liberais e em 1831 foi eleito presidente da Câmara Municipal. É desta época o seu manifesto a D. Maria II, sobre as medidas de carácter económico e político para o País. Em 1832, nomeado capitão da 3.ª Companhia do Batalhão de Voluntários, conheceu D. Pedro IV, a quem causou viva impressão. Foi nomeado provedor do concelho da Horta e de seguida subprefeito de S. Miguel, cargo que não chegou a exercer devido à agitação política. Seguiu para o Porto, onde se apresentou ao «imperador», do qual conseguiu o alvará de 4.7.1833, elevando a vila da Horta a cidade. Regressou então à nova cidade para ser prefeito, e na legislatura de 1834 foi eleito deputado pelo Faial, iniciando a sua carreira política a nível nacional. Nela se distinguiu como deputado e como lutador contra a Constituição de 1838. Nos tempos desta reacção, foi administrador-geral de Évora e do Porto. Ministro da Fazenda no governo de Joaquim António de Aguiar (1841-42), conseguiu sobreviver politicamente à contra-revolução de Costa Cabral, continuando ministro por dez anos. Em 1853 representou Portugal no Congresso de Estatística de Bruxelas e em 1853 foi comissário junto da Exposição de Paris. Nos anos seguintes voltou várias vezes a ser ministro da Fazenda, Justiça e Negócios Estrangeiros e representante de Portugal no estrangeiro. Em 1868, na sequência da Janeirinha, foi encarregado de formar o seu primeiro ministério, que durou até Julho desse ano. Voltou a ser ministro e logo de seguida foi de novo designado presidente do Gabinete, que durou de Outubro de 1870 a Setembro de 1871. Nessa época mandou encerrar as Conferências do Casino e enfrentou a sarcástica crítica de Antero de Quental, que lhe escreveu uma célebre carta, tratando-o por «José da Vila das ilhas de baixo». Foi ainda director da Companhia das Lezírias, presidente do Supremo Tribunal Administrativo, governador da Companhia do Crédito Predial e do Banco Hipotecário. Em 1855 ingressou na Academia das Ciências de Lisboa, da qual foi vice-presidente.
Conde de Ávila, por carta de 15.2.1864, elevado a marquês de Ávila e Bolama, por carta de 31.5.1870 (pela forma como resolveu a questão com a Inglaterra sobre a posse da ilha de Bolama, na Guiné) e a duque, por decreto de 14.5.1878. Por alvará de 9.10.1860 foram-lhe concedidas armas (1 e 4, de ouro, águia de negro, 2 e 3, de prata, três faixas de vermelho, acompanhadas de 4 olhos humanos da sua cor, com sobrancelhas de azul, dispostos em banda). Possuía as mais elevadas condecorações nacionais (grã-cruz das Ordens de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, de SantIago da Espada, de Cristo e da Torre e Espada) e numerosas estrangeiras, que se tornaram lendárias, principalmente pela caricatura de Bordalo Pinheiro no Álbum de Glórias, com a legenda «Calvário de Condecorações». Nunca esqueceu a ilha e a sua cidade, continuando a defender os seus interesses. Os seus concidadãos ergueram-lhe uma estátua na praça principal, em frente ao município, que tem o seu nome.
J. G. Reis Leite (2006)
Bibl. Ribeiro, A. (1874), O Marquês de Ávila e Bolama, Perfil Biográfico. Almanach Insulano, Angra do Heroísmo, Typ. da Terceira: 139-160. Baena, V. S. (1883), Memórias Histórico-Genealógicas dos Duques Portugueses do Século XIX. Lisboa. Nobreza de Portugal (1960), Lisboa, Iniciativas Editoriais, II: 348. Lima, M. (1943), Anais do Município da Horta. Famalicão, Of. Gráfica Minerva: 360.
