Avezac, d’

Membro de várias instituições culturais e científicas, funcionário dos Arquivos da Marinha e das Colónias de França, escreveu em colaboração com diversos autores a obra L’Univers, Histoire et Description de tous les peuples, Iles de l’Afrique, publicada em Paris em 1868. Nesta obra, o segundo capítulo da segunda parte é consagrado aos Açores e foi em grande parte elaborado por um dos colaboradores, Oscar MacCarthy, tendo como base de informação, conforme aí se indica, as obras do Pe. António Cordeiro (1717), Webster (1821), Boid (1834) e Bullar (1841). Designado por «Description des Açores», o capítulo é, na verdade, uma monografia sobre o arquipélago, ocupando 60 páginas impressas a duas colunas em tipo muito reduzido, onde são abordados sucessivamente os seguintes aspectos: solo – geologia, clima, produções vegetais e agricultura, zoologia; habitantes – carácter físico e moral, classes da população, alimentação, habitação, estatística, costumes, diversões e festas, religião e culto, doenças, indústria e comércio, governo, administração civil e militar; descrição das ilhas Terceira, Graciosa, S. Jorge, Faial, Pico, Flores, S. Miguel, Corvo e Santa Maria; história – descoberta, colonização, capitães do donatário, conquista por Filipe II de Espanha, restauração da soberania portuguesa, resistência à usurpação de D. Miguel. O capítulo dedicado à história, além de incluir fantasias ridículas, integra-se na corrente que, no século passado, procurou diminuir o mais possível a contribuição dos Portugueses para os Descobrimentos. Avezac foi mesmo considerado pelo visconde de Santarém, em carta de 12.3.1846, um «indivíduo cuja má-fé não conhece limites neste assunto da prioridade dos  descobrimentos» (Correspondência, 7: 30) e por isso a sua atitude, a par da de Humboldt, ainda era referida em 1933 por Manuel Heleno (1933: 7). Maria dos Remédios Castelo-Branco (Set.1996)

Bibl. Heleno, M. (1933), Os Escravos em Portugal. Lisboa, Anuário Comercial.