avenca

Nome que se dá aos fetos da família das Adiantáceas pertencentes a duas espécies, Adiantum capillum-veneris e A. radianum.

Adiantum capillum-veneris caracteriza-se por fetos de rizoma e de base do estipe cobertos de escamas estreitamente lanceoladas, clatradas e castanhas, de frondes em tufos e parcialmente caducas, de estipe menor do que a lâmina, negro e brilhante, de lâmina 2-3 penatissectas, ramificada flabeliformente, ovada e ovado-lanceolada, de ráquis e de pseudo-estipetes negro-avermelhados lustrosos, de segmentos de última ordem, verde-vivos, glabros, herbáceos, flabelado-acunheados e obtusamente lobados, de nervuras dos segmentos estéreis terminando nos dentes dos lobos e de pseudo-indúsios de lunulares a oblongos entre os seios, até 10 por segmento. Não apresenta altitudes preferenciais e vive geralmente em locais fracamente expostos e húmidos, nas barreiras rochosas, encostas arenosas e em muros de pedra. Também é bastante cultivada em vasos como ornamental. Tem sido encontrada nas ilhas das Flores, do Faial, da Terceira, de S. Miguel e de Santa Maria. Distribui-se pelas regiões temperadas e subtropicais, sendo considerada como subcosmopolita.

Embora Seubert e Hochstetter (1843) tenham sido os primeiros botânicos a assinalar esta espécie como existente nos Açores, sob o nome de Adiantum africanum e A. madeirense, é Seubert (1844) o primeiro autor a indicá-la para uma ilha, a de S. Miguel.

Adiantum radianum é constituído por fetos semelhantes aos de A. capillum-veneris mas de escamas semiclatradas, de estipe geralmente maior do que a lâmina e negro-avermelhado, de lâmina 3-4(-5)-penatissecta, triangular ovada, de ráquis e pseudo-estipetes negro-avermelhados, de segmentos de última ordem geralmente profundamente lobados, de nervuras terminais terminando nos seios, de pseudo-indúsios reniformes situados nos seios até 5 por segmento. Encontra-se entre 20 e 300 m de altitude em taludes, nas fendas de muros de suporte e de rochas, em locais sombrios e húmidos. É muito cultivada como ornamental em vasos. Tal como A. capillum-veneris vive em associações antropocóricas. Ocorre como subespontânea nas ilhas das Flores, do Faial, do Pico, de S. Miguel e também na ilha da Madeira e nas ilhas de Grã-Canária e de Tenerife (ilhas Canárias). É originária da América tropical.

Foi referida pela primeira vez para os Açores, nas ilhas das Flores e do Faial, por Vasconcellos (1968), sob o nome de Adiantum cuneatum. Tem sido frequentemente confundido com A. capillum-veneris, devido às suas semelhanças (Ward, 1970; Caixinhas, 1973-1974). José Ormonde (Dez.1996)

Bibl. Caixinhas, M. L. C. I. (1973-74), Contribuição para o estudo da flora açórica. Boletim da Sociedade Broteriana (2), 47, Supl.: 59-69. Seubert, M. (1844), Flora Azorica. Bona, Adolphum Marcum. Seubert, M. e Hochstetter, C. (1843), Übericht der Flora der azorischen Inseln. Archiv der Naturgeschichte, Berlim, 9, 1: 1-24. Vasconcellos, J. C. (1968), Pteridófitas de Portugal Continental e Ilhas Adjacentes. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian. Ward, C. M. (1970), The Pteridophytes of Flores (Açores): a survey with bibliography. British Fern Gazzete, 10, 3: 119-226.