Avelar
GENEALOGIA Da ilha de S. Jorge - Muito embora o apelido Avelar tivesse sido referenciado noutras ilhas dos Açores, designadamente com o padre Manuel do Avelar, que embora natural da ilha de Santa Maria era, em 1595, vigário da Matriz de Santa Cruz, na ilha das Flores, foi na ilha de S. Jorge e nos finais do século XVII que ele reapareceu, originando uma das mais notáveis dinastias burguesas da história contemporânea nas chamadas «Ilhas de *Baixo».
O primeiro do apelido, Manuel do Avelar, foi baptizado na vila das Velas em 23.12.1683 como filho de Francisco Rodrigues, oficial de pedreiro, natural da ilha do Pico que em 1664 se fixara em S. Jorge para dirigir a obra da actual igreja matriz dessa vila, onde viria a casar com Maria Pereira. Além do já citado, este casal teve mais duas filhas.
Manuel do Avelar trabalhou já como arquitecto e ao seu risco ficou a dever-se a Câmara das Velas, um dos mais notáveis e equilibrados edifícios da ilha. Casou em 2.12.1712 com Francisca de Oliveira e desse casamento ficaram: 1- Maria das Candeias do Avelar, que viria a casar com Ventura Machado, com geração; 2- José Avelar de Melo que, tendo casado em 24.11.1737 com Joana do Sacramento, teve: Bárbara Maria do Avelar, casada com José Machado Cardoso, com geração, José do Avelar de Melo, Manuel do Avelar, Matias do Avelar, João José do Avelar, Bento José do Avelar, António do Avelar e José do Avelar.
José do Avelar de Melo, secundogénito de Manuel do Avelar, foi empreiteiro de obras públicas e, coadjuvado por filhos e genros, percorreu toda a ilha edificando quase todos os edifícios de maior vulto erguidos em S. Jorge até aos finais desse século XVIII, nomeadamente as igrejas da Ribeira Seca, Norte Grande e Norte Pequeno e a matriz do Topo.
Mesmo depois da sua morte, ocorrida nas Velas em 18.9.1800, os filhos prosseguiram durante algum tempo a tradição familiar. José do Avelar de Melo Júnior deixaria obras de mérito na cidade da Horta; deve-se a Matias do Avelar o elegante portão do cais das Velas; e João e António do Avelar foram responsáveis pela igreja da Urzelina e pelo solar do capitão Damião de Sousa Soares nos Terreiros. Importa referir ainda o papel de Bento do Avelar nas obras do convento de S. Francisco, na vila das Velas, cujos frades lhe deram sepultura com lápide comemorativa. Mas, com o final do período áureo do século XVIII, começaram a escassear as empreitadas e os Avelares diversificaram as suas actividades. Com José Severino do Avelar, filho de António do Avelar já referido, iniciou-se a verdadeira expansão da família. Tendo emigrado para o Brasil, foi chamando irmãos e sobrinhos à medida que o desenvolvimento dos seus negócios o justificava. Armadores de navios e capitães de longo curso, os Avelares percorreram também o Maranhão e Pernambuco antes de passarem à América do Norte e, finalmente, a África.
Na vila das Velas, os primeiros mercadores de bom trato surgiram apenas no começo do século XIX, com Lourenço José Pereira e José Inácio da Silva, rapidamente suplantados pelos Avelares, Amaro José Mateus e Manuel Severino, entre outros, que beneficiaram da teia de relações familiares e dos capitais acumulados. Activos e inovadores, prosperaram até ao estatuto de dinastia burguesa, uma vez ultrapassados os limites da ilha natal. Magistrados, jurisconsultos, médicos, financeiros e homens de negócios, os numerosos descendentes de Manuel do Avelar espalharam-se, em menos de trezentos anos, por todas as ilhas, Continente, África e Américas.
Todavia, ao nível local e regional, deixaram um importante legado no campo da historiografia por intermédio de José Cândido da Silveira *Avelar. Este, depois de ter exercido funções na administração local, viria a publicar, em 1902, Ilha de São Jorge - Apontamentos para a sua História, fonte incontornável de informações posteriormente utilizadas, entre outros, pelo Pe. Manuel de Azevedo da Cunha (Notas Históricas), António dos Santos Pereira (A ilha de São Jorge), Artur Teodoro de Matos e Guilherme Reis Leite, autores que se debruçaram sobre temas jorgenses em particular ou a história do arquipélago em geral. Manuel Lamas (1999)
HERÁLDICA De ouro, com três faixas de vermelho, cada uma carregada de três estrelas de seis pontas, de prata. Timbre: três espadas invertidas e apontadas de prata, empunhadas de vermelho e guarnecidas de ouro. Luís Belard da Fonseca (1999)
