atletismo

Apesar de fotografias antigas nos mostrarem atletas em competição desde 1910, a primeira afirmação de existência de um atletismo açoriano remonta a 1979, quando um atleta do Clube União Micaelense, Carlos Medeiros, que viera a Lisboa para disputar o título português de lançamento de dardo, se sagrou inesperado campeão do salto em comprimento com 7,19 m. A sua técnica era rudimentar e susceptível de ser melhorada, mas a sua velocidade era já suficientemente notória para se adivinhar que estava em Carlos Medeiros o sucessor de Pedro de Almeida. O já mítico recorde português deste último viria a cair seis anos mais tarde em Schwechat (Áustria), a 10 de Agosto de 1985: 7,66 m, ou seja, mais 4 cm que o recorde de 1962, obtido 23 anos e 20 dias antes. Pela primeira vez, um açoriano era um recordista português absoluto.

Carlos Medeiros, nascido em 1959, continua em actividade, tendo regressado à sua maior paixão, o lançamento do dardo. Nesta disciplina, obteve 56,12 m, em Ponta Delgada, a 23 de Abril de 1994, representando o Clube de Atletismo de Lagoa. Treina o seu próprio filho André Medeiros, que representou Portugal nas Jornadas Olímpicas da Juventude Europeia, considerado o melhor júnior português da actualidade na disciplina do dardo.

Outro açoriano de classe internacional é Carlos Patrício, que representa o Sporting Clube de Portugal: 2h 11’ 00” na Maratona de Viena (18.4.93), 28’ 01”.04 nos 10 000 m em Leiria (6.4.96) e 13’ 36”.22 nos 5000 m em San Sebastian (19.8.95). Nascido a 9 de Outubro de 1964, Carlos Patrício é casado com uma meio-fundista de nível internacional, La Salette Mineiro (4’ 14”.04 nos 1500 m).

A nova geração de atletas açorianos conta ainda com Susana Goulart (n. 1980), que foi a número um do ranking português absoluto no salto em altura, em 1997, com 1,76 m pelo ilha Azul; Alda Álamo (n. 1974), que lançou o dardo a 45,82 m em Angra do Heroísmo (30.6.96) em representação da Associação Cristã da Mocidade; Carla Patrícia Rebelo, do Clube de Atletismo de Lagoa, que correu os 100 m em 11”.99 na Maia a 29.6.93 e os 200 m na mesma cidade a 3.7.94 em 25” .29, quando tinha idade de juvenil (n. 1977); Márcio Lima (n. 1979) que, em representação do ilha Azul, saltou 2,06 m em altura em Viseu a 20.7.96; Paulo Massinga (n. 1978), que saltou 7,20 m em comprimento com idade júnior, no Estádio Universitário de Lisboa a 17.3.96, em representação do Clube de Atletismo da Terceira.

O Governo Regional tem vindo a proporcionar ao atletismo açoriano os indispensáveis meios para o seu desenvolvimento, desde as infra­-estruturas à qualidade dos seus técnicos, pelo que são de esperar nos próximos anos avanços ainda mais significativos dos resultados atléticos das suas principais figuras, ainda muito jovens, reveladas anualmente no Torneio Olímpico Jovem Nacional, onde habitualmente a selecção açoriana mostra superioridade face à maioria das selecções distritais do Continente. Pedro de Almeida (Abr.1996)