Atlântida

1 Revista mensal de literatura, arte, ciência e crítica social, publicada na ilha Graciosa. Dirigida por João de Matos Bettencourt, pretendia desenvolver nos Açores o gosto pela arte. Nas 20 páginas de cada número incluía poesia, artigos de história e etnografia. Publicaram-se apenas 6 números, com início a 15 de Janeiro de 1915. Carlos Enes (Fev.1998)

2 Revista mensal, literária e de crítica, publicada em Ponta Delgada. Iniciativa de «novos» e alheia a partidarismos políticos, surgiu como uma lufada de ar fresco por oposição às «clássicas velharias» divulgadas na maioria da imprensa local. Começou a publicar-se em Março de 1929 e afirmava, abertamente, o seu espírito republicano, contendo, inclusive, um artigo de pendor socialista. Apresentava vários artigos sobre cinematografia, notícias sobre filmes em exibição na cidade, alguma poesia e pequenos contos. Teve como colaboradores Júlio Cabral, Vasconcelos César, Virgílio d´Oliveira. Manuel Barbosa foi director nos primeiros seis números e, com a saída deste para Lisboa, José Ramos substituiu-o no sétimo e último número, de Janeiro de 1930. Carlos Enes.(Set.1998)

3 Revista do Instituto Açoriano de Cultura, publicada em Angra do Heroísmo desde Agosto-Setembro de 1956 até à actualidade. Começou por ser bimensal, sendo duplo o número de Verão-Outono, e assim se manteve com regularidade até 1966. O volume I e II abrangeu os anos de 1956, 1957 e 1958, regularizando-se os volumes com os anos civis a partir do volume III, de 1959. Desde 1967 que conheceu várias irregularidades na periodicidade, havendo anos em que só publicou dois números, mas desde 1978 passou a trimestral, havendo também faltado rigorosa periodicidade. Em 1985 inaugurou nova série, esta semestral, que durou até 1997, com um número triplo do segundo semestre de 1992 e do ano de 1993. No ano seguinte passou a anual, com o título de Nova Atlântida, e com o primeiro número da série duplo, correspondendo a 1998-1999.

Até 1977 foi da direcção de José Machado Lourenço, também presidente da direcção do Instituto Açoriano de Cultura, que marcou profundamente a revista e lhe imprimiu um rumo de revista católica, nacionalista e conservadora, com uma notável intervenção nos aspectos culturais, sociais e políticos de Portugal, principalmente através das suas regulares notas de abertura. Desta fase destaca-se a colaboração de José Enes, Cunha de Oliveira, Francisco Carmo, Eduíno de Jesus, Vitorino Nemésio, Cortes Rodrigues, José Ilhéu, José Medeiros Tavares, etc. Dedicou também espaço à vulcanologia, com colaboração de José Agostinho, Frederico Machado e Victor Hugo Forjaz.

A partir de 1978 e até 1984 foi dirigida por uma equipa (Jorge Forjaz, António Mendes e João Maria Mendes), correspondendo a uma anunciada renovação do Instituto Açoriano de Cultura. Não manteve, porém, uma tão marcada intervenção, ainda que se tenha tornado mais ecléctica. É de salientar a colaboração de Álvaro Monjardino, António Mendes e Jorge Forjaz.

Em 1985 inaugurou uma 2.ª série, com nova apresentação gráfica e transformando-se numa revista de artes e letras, com a direcção de José Reis Leite, João Afonso e Álamo Oliveira. Tinha propósitos modernistas e foi pioneira como revista dedicada às artes. Manteve, contudo, uma secção de intervenção crítica na vida açoriana.

Ainda que com a mesma orientação, passou a ser dirigida, em 1991, por Jorge A. Paulus Bruno, mantendo os outros elementos, sendo substituído João Afonso por Emanuel Félix, em 1994.

A colaboração maii destacada destes anos é de Álamo Oliveira, Pedro da Silveira e João Afonso, entre outros, no campo das letras, e de nomes consagrados das artes, como José Nuno da Câmara Pereira, Carlos Carneiro, António Dacosta e Dimas Lopes, açorianos, e Júlio Pomar e Graça Morais, dos nacionais.

Não concordando alguns sócios com a transformação da Atlântida em revista de artes e letras, foi fundada em 1987 uma série de ciências sociais, dirigida por Manuel Fidalgo, Jorge Reis e António Maio, que se manteve como publicação anual até 1991. Destaque-se a colaboração no campo da sociologia e de política internacional.

Em 1979, a direcção de Jorge Forjaz, por solicitação de vários sócios médicos, fundou uma série intitulada Atlântida Médica, que até 1985 foi anual e publicou regularmente as actas das mesas-redondas médicas dos arquipélagos dos Açores e Madeira, a partir da 6ª reunião. Em 1988 passou a bimensal e abriu as suas páginas a outros trabalhos da especialidade, além daqueles apresentados naquelas reuniões científicas, agora acrescidas do arquipélago das Canárias. Passou a ser dirigida pelos médicos, também eles sócios do Instituto Açoriano de Cultura, Jorge Monjardino, Jorge Homem de Gouveia e Luís Brito Azevedo. Durou até 1990, saindo dois suplementos pediátricos em cada um dos anos de 1989 e 1990. Neste aspecto foi uma inovação notável no panorama científico e cultural dos Açores.

Tem dedicado números especiais a acontecimentos relevantes da vida nacional, designadamente o 5º centenário na morte do Infante D. Henrique (1960), a anexação dos territórios da Índia Portuguesa pela União Indiana (1962), a crise vulcânica de S. Jorge (1964), a Cimeira Atlântica Nixon-Pompidou (1972), o 4º centenário da publicação d’Os Lusíadas (1973) ou o 1.º aniversário da morte de Vitorino Nemésio (1979).

Existe um importante índice, didascálico e onomástico, da 1.ª série (1956-1985), da autoria de José Avelino Rocha dos Santos. J. G. Reis Leite (1999)

 Bibl. Instituto Açoriano de Cultura (1992), Instituto Açoriano de Cultura. 37 Anos de Actividade. Angra do Heroísmo, IAC [textos de José Guilherme Reis Leite, João Afonso e Valdemar Mota].