Ataíde, Augusto de
(A. de A. Corte Real Soares de Albergaria) [N. Ponta Delgada, 16.ó.1912 - m. Lisboa, 2.7.1965] Filho de Luís Bernardo Leite de *Athayde e de D. Maria Luísa Soares de Albergaria. Casou com D. Maria da Graça Hintze Ribeiro Jardim de *Athayde. Fez os estudos secundários no Liceu Antero de Quental de Ponta Delgada. Grande atleta, na juventude, destacou-se como nadador de fundo e remador oceânico. Foi xadrezista de alto nível, chegando a ganhar alguns torneios micaelenses nos anos 30. Alinhou com o movimento estudantil que, em S. Miguel, participou da oposição à chamada «Revolta dos Deportados» (1931). Todavia, teve, quase sempre, más relações com a oligarquia do Estado Novo que o prejudicou em boa parte dos seus negócios , chegando a ser preso pela PVDE, nos anos 40. Empresário e industrial, desenvolveu diversificadas actividades em S. Miguel, em Lisboa e na Venezuela. Foi um dos fundadores da SATA Sociedade Açoreana de Transportes Aéreos. Actuou na agricultura; no arroteamento de terras incultas; na exploração florestal; na indústria de moagem (tendo adquirido várias pequenas moagens para as fundir numa unidade moderna a Moagem Micaelense); na banca (tendo sido accionista largamente maioritário do Banco Agrícola de S. Miguel); na produção e exportação de ananases; no sector imobiliário, levando a efeito a primeira urbanização a norte de Ponta Delgada, empreendimento que marcou o início da expansão da cidade nessa direcção, etc., etc. Conseguiu obter do governo da Venezuela (1949), no termo de difíceis negociações, o exclusivo para a instalação de moagens de cereais nesse país, não tendo, todavia, conseguido desenvolver esse negócio de enormes perspectivas nacionais e mesmo internacionais, principalmente por completa falta de apoio e mesmo oposição do governo da época. Foi durante alguns anos proprietário e director do Correio dos Açores, o qual acabou por vender na sequência de desentendimentos com a censura. Vítima de alguns maus investimentos, faleceu prematuramente e arruinado, depois de ter alienado quase todos os empreendimentos que lançara. Amador de arte, na tradição familiar, tornou-se ao longo da vida um conhecedor de mobiliário português (chegando a reunir uma boa colecção) e de arquitectura clássica e neoclássica. Com sua mulher, ergueu o monumento a José do Canto (da autoria do escultor micaelense Francisco Xavier Costa) e a casa, que no jardim do mesmo nome existem em Ponta Delgada e cujos projectos foram concebidos e acabados sob sua orientação. Foi agraciado com a Comenda da Ordem de Cristo (1941). Augusto de Athayde (Mai.1996)
Bibl. Athayde, A. (1997), Livro de Família, Lisboa, ed. do autor, I [fora do mercado].
