atabona

Nome que alguns habitantes da ilha de S. Miguel, no século xvi, davam, segundo o Dr. Gaspar Frutuoso, a um «material quebradiço e estaladiço que se podia quebrar com a mão, mui espesso e preto como azeviche», de que «havia grande cópia nas cavernas e centro daquela ilha». Este material, porém, na opinião de Frutuoso, era distinto da «pedra preta que havia nas Canárias» chamada naquele tempo atabona, pois esta (a atabona propriamente dita) era, no dizer do cronista, «tão forte pedra que dela se faziam navalhas e lancetas», ao passo que o material existente em S. Miguel (impropriamente chamado atabona) «estalava e quebrava muito» (Frutuoso, 1926: 260). Eugénio Pacheco (1890: 272) identifica o material descrito por Frutuoso com a obsidiana, e igualmente, seguindo-o, F. A. Chaves [1927: 28, n.(a)] e o P.e Ernesto Ferreira (1937: 11). Eduíno de Jesus (Out.1997)

Bibl. Frutuoso, G. (1926), Livro Quarto das Saudades da Terra. Ponta Delgada, II. Castro, E. V. P. C. (1890), Sobre a bibliografia geológica dos Açores. Arquivo dos Açores, Ponta Delgada. Chaves, F. A. (1927), Arquivo dos Açores. Ponta Delgada, Of. Artes Gráficas, XIV. Ferreira, E. (1937), O Arquipélago dos Açores na História das Ciências. Lisboa, Bertrand (Irmãos), Lda.