assoprar
v. Forma prostética de soprar: impelir ar pela boca. Ocorre com o sentido de dizer no conto de Nunes da Rosa «Reconsiderações»: « Mais devagar, Ti Lopes assoprou um do terreiro» (Rosa, 1904). As duas formas (assoprar e soprar ) coexistem quer no português dos Açores quer no português do Continente. O mesmo relativamente aos seus derivados regressivos sopro e assopro. Aliás, segundo Francisco José Freire, as formas assoprar e assopro eram preferidas pelos clássicos às formas soprar e sopro (Freire, 1863: 44). Ocorrem, uma e outra, em sentido figurado nas expressões: «soprar (ou assoprar) ao ouvido» (informar outrem em voz imperceptível a terceiros) e «Quem tem boca não manda soprar (ou assoprar)» (faça cada um o que lhe compete em vez de o mandar fazer a terceiros). Estas expressões são igualmente vulgares nos Açores e no Continente. Eduíno de Jesus (Out.1997)
Bibl. Freire, F. J. (1863), Reflexões sobre a Língua Portuguesa. Lisboa, Tip. do Panorama, II.
