Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Angra do Heroísmo

As primeiras diligências para a organização dos serviços de incêndios datam de 1843, por iniciativa do governador civil José Silvestre Ribeiro, mas a proposta não teve seguimento. Em 1851, outro governador civil, Anastácio Bettencourt, publicou um regulamento de serviços de incêndios a partir do qual a Câmara ficava incumbida de elaborar posturas. Devido à inoperacionalidade das bombas de incêndios existentes no Castelo de S. João Baptista, a Câmara adquiriu uma nova bomba nesse ano, que também acabou por não funcionar devido à falta de conhecimentos técnicos. Em 1857, foi criada a Real Associação dos Bombeiros Voluntários, reestruturada em 1882 e extinta em 1902. Foi, então, criado o Corpo de Bombeiros Municipais para no dia 1 de Março de 1922 dar origem à Associação de Bombeiros.

Até à criação desta associação, as instalações foram sempre precárias. O material era guardado em lojas de organismos oficiais e o primeiro quartel foi instalado na Praça da Restauração, em 1932, para ser transferido, em 1967, para o novo e actual quartel. Apesar das inúmeras dificuldades, a Associação de Angra foi, desde o início, das mais bem apetrechadas dos Açores. Nos anos 20, já possuía serviços de saúde, com um enfermeiro e um serviço clínico dirigido por médico. Para subsidiá-lo, o governador civil, por alvará de 20 de Julho de 1927, atribuiu à associação 10 % do valor das licenças das touradas à corda na ilha, tendo em vista manter a condução de enfermos indigentes na automaca. Naquele ano, entrou também em funcionamento o serviço de socorros a náufragos. Em 1924, filiou-se na Federação dos Bombeiros Portugueses. Para além dos apoios oficiais, a associação tem vivido de receitas provenientes de donativos particulares e essencialmente das receitas de festas, nomeadamente touradas de praça e da Festa da Flor. O número de viaturas foi aumentando a partir dos anos 40, sendo, no presente, de 11. A associação conta com 107 elementos, dos quais 15 são permanentes. Na freguesia dos Altares funciona uma secção com instalações provisórias. Ao longo da sua existência recebeu várias condecorações. Carlos Enes (Set.1998)

Bibl. Merelim, P. (1969), Memória sobre os Serviços de Incêndios em Angra. Angra do Heroísmo, Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários.