Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários da Ribeira Grande

Fundada em 15 de Abril de 1875, é a mais antiga dos Açores e uma das mais antigas do País. Designada inicialmente como Companhia de Bombeiros Municipais Voluntários, passou a Associação por volta de 1935, tendo-se filiado, no ano seguinte, na Liga dos Bombeiros Portugueses. A dinâmica do seu primeiro comandante, Vicente Constantino da Silva Vellozo, natural de Lisboa, foi fundamental para criar espírito de equipa e ultrapassar as enormes dificuldades sentidas ao longo dos anos. As instalações foram sempre precárias até à inauguração de um quartel em 2 de Fevereiro de 1975. As instalações anteriores, lojas e dependências da Câmara, não permitiram uma organização que respondesse eficazmente às solicitações e necessidades do concelho. O material foi também, durante muitos anos, insuficiente. Começaram por funcionar, apenas, com uma bomba manual, instalada numa carroça, puxada por voluntários e outros meios reduzidos até surgirem as primeiras viaturas nos anos 30. Só depois da Segunda Guerra Mundial foram adquiridas motobombas, autotanques, novas viaturas e outros apetrechos necessários a um bom desempenho profissional. O grande salto qualitativo registou-se a partir de 1980, com a aquisição de meios materiais modernizados. A nível do pessoal, a corporação sempre lutou com falta de associados e um número reduzido de voluntários. No presente existe um corpo estável de profissionais. Todavia, o valor dos seus quadros está bem patente nas várias medalhas de ouro e prata ganhas em vários concursos nacionais de manobras, e ainda numa representação nacional em Berlim, em 1993.

Para além dos serviços de incêndio, foram incumbidos aos bombeiros da Ribeira Grande serviços de saúde, pelo que receberam a primeira ambulância em 1955. Na mesma altura, passaram também a prestar socorros a náufragos, vigilância às praias e a vistoriar as casas de espectáculos. A corporação tem desenvolvido actividades socioculturais, publicando um Boletim desde 1992, promovendo festas e serões culturais e actividades desportivas – atletismo e futebol de salão. Para colmatar as dificuldades financeiras, têm promovido peditórios em várias freguesias, acompanhados pela charanga. Esta, fundada em 1891, teve vida efémera mas foi reactivada, nos anos 80, utilizando instrumental da extinta Legião Portuguesa. Nos últimos anos, a corporação tem aberto as suas portas às escolas com o objectivo de sensibilizar os jovens. Na sede, tem funcionado o Centro de Coordenação Operacional I dos Açores, desde 1993. Na Lomba da Maia, tem funcionado uma secção, inaugurada em 1989. Pelos serviços prestados, a associação tem recebido várias condecorações.

Funciona com 26 viaturas e cerca de 100 elementos, dos quais 14 são efectivos. Carlos Enes (Set.199)

Bibl. Silva, A. M. M. (1995), Bombeiros Voluntários da Ribeira Grande – 120 Anos ao Serviço da Comunidade. Ribeira Grande, Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários.