Associação Educadora do Sexo Feminino

Por iniciativa de uma centena de pessoas de ambos os sexos, foi fundada, em 1885, a Associação Educadora do Sexo Feminino, em Angra do Heroísmo, com a Virgem Santíssima por padroeira. Os estatutos foram aprovados pelo governador civil, por alvará de 17 de Abril do mesmo ano, mas a constituição definitiva da Associação ficou dependente da concessão do edifício do Convento de S. Gonçalo para nele se instalar. Feita a representação aos poderes públicos, a carta de lei de 30.7.1885 concedeu-lhe o referido convento, com a igreja e respectivas alfaias, o único que não tinha sido extinto na Terceira pela legislação liberal de 1832. Em 1886, foram eleitos os primeiros corpos gerentes que puseram em prática os objectivos da Associação: (a)promover a educação de menores do sexo feminino, com alunas internas e externas; (b) abrigar pessoas do mesmo sexo, mediante uma módica pensão paga em dinheiro ou em serviços. O edifício foi dividido em duas partes distintas: numa foi instalada uma escola de instrução primária, em 1886, denominada Colégio D. Maria II; na outra, um recolhimento. A escola primária terá funcionado até finais da Monarquia, altura em que a Associação sofreu modificações. Com a implantação da República, para além de ter sido substituída a direcção confiada a velhos monárquicos, passou a designar-se Instituição Educadora e dedicou-se, apenas, à função de recolhimento de raparigas e mulheres sem família ou meios de sustento. A instituição vivia das cotizações dos sócios, de donativos de particulares, da Caixa Económica de Angra e de organismos oficiais, mas a instituição tinha a particularidade de permitir a saída, de sol a sol, das residentes para trabalharem na cidade. Em 1914, fizeram-se grandes obras no convento, foram aprovados novos estatutos e passou a denominar-se Recolhimento de S. Gonçalo. Funcionou até 1980, altura em que o edifício foi danificado pelo sismo do dia 1 de Janeiro. Carlos Enes (Nov.1995)

Bibl. Estatutos da Associação Educadora do Sexo Feminino do Distrito de Angra do Heroísmo (1886), Angra do Heroísmo, Typ. Terceirense. Ribeiro, J. S. (1892), Historia dos Estabelecimentos Scientificos Litterarios e Artisticos de Portugal. Lisboa, XVII. Sampaio, A. S. (1904), Memória sobre a Ilha Terceira. Angra do Heroísmo, Imp. Municipal. A Terceira (1885), Angra do Heroísmo, 1370, 25 de Julho. Id. (1886), 1401, 27 de Fevereiro. A União (1913), Angra do Heroísmo, 5883, 18 de Dezembro. Id. (1914), 6150, 18 de Novembro. Id. (1914), 6152, 20 de Novembro.