assobiar
v. Nos Açores, diz o povo que não é bom assobiar de noite, porque isso é chamar pelo diabo. Esta superstição serve de tema a um conto de Nunes da Rosa, «A Cruz da Caldeira», em que um homem velho das Flores, desafiado a ir «à meia-noite [...] à ribeira dar três assobios pelo cão feio», aceita o repto e, depois de assobiar três vezes à hora e no local indicados, desaparece misteriosamente por um *algar que se abriu a seus pés «aquele buraco que ainda lá está abaixo da ponte», segundo explica o narrador do referido conto e nunca mais ninguém o viu vivo nem morto, ficando apenas um rasto de sangue e alguns cabelos no local onde se supõe ele ter desaparecido (Rosa, 1904). Ali, junto da ribeira que passa no lugar da Caldeira da freguesia do Mosteiro, na ilha das Flores, o povo colocou depois umas alminhas (a chamada Cruz da Caldeira) a assinalar o prodígio. O tema desta narrativa de Nunes da Rosa, colhido na tradição, está relacionado com o desmoronamento de terras que forma a quebrada de onde tira o nome uma povoação da freguesia do Mosteiro, chamada Quebrada da Muda. Eduíno de Jesus (1999)
