asno
s. O mesmo que burro. Actualmente pouco usado em sentido próprio, tanto nos Açores como no Continente. Nos Açores mantém-se em sentido próprio apenas em alguns provérbios, como: «Asno mau / perto de casa corre sem pau» (S. Miguel), ou: «Asno que tem fome / cardos come» (id.), de que há variantes no Continente. Também ocorre em sentido próprio na comparação «ser como o asno do João Loução: / ora manca do pé ora manca da mão» (S. Miguel) (há uma variante local em que «asno do João Loução» é substituído por «burro do Lajão»). Em sentido figurado, asno, do mesmo modo que no Continente, também é corrente como insulto em todas as ilhas, significando estúpido. Ver, por exemplo, na adivinha popular do galo: «Serra na cabeça, / serra no rabo. / Adivinha, asno, / que é o galo!» (Var.: «Serra na cabeça, / foucinha no rabo. / Adivinha, tolo, / que é o galo»). Na linguagem popular da ilha de S. Miguel é frequente a locução insultuosa: «tá (i) asno!», talvez evoluída de «Está asno!», com i anaptítico, ou de «Tal asno!», com vocalização do l intervocálico (o verbo estar sofrendo ablação da primeira sílaba em ambos os casos). Eduíno de Jesus (Out.1997)
