Ashe, Thomas
(ou Thomas Adson) Pouco se sabe da sua biografia, além de que foi capitão de granadeiros da marinha inglesa e pouco escrupuloso a avaliar por uma carta do cônsul inglês, que lhe revela o nome. Tendo visitado a ilha de S. Miguel, no início do século xix, resolveu, no regresso a Inglaterra, escrever um livro, em forma de 43 cartas, que intitulou História das Ilhas dos Açores em que se contem a descrição do seu governo, leis, religião, costumes, cerimónias e carácter dos seus habitantes e em que se mostra a importância destas preciosas ilhas para o Império Britânico. O livro, traduzido em parte e publicado pelo Correio Brasiliense, não vale muito como literatura de viagem, mas ficou um marco na literatura política açoriana, por defender a ideia de que estando os Açores abandonados e vergonhosamente explorados pelos Portugueses, seria uma meritória obra do governo inglês, a troco do seu esforço e empenhamento para com Portugal, negociar a transformação do arquipélago num protectorado britânico e «elevar os Açores à dignidade de governo próprio». A ideia teria adeptos, pelo menos em S. Miguel, e o livro, muito criticado, foi sem dúvida a fonte inspiradora de todos os independentistas açorianos a partir da época liberal. J. G. Reis Leite (Jun.1997)
Obra: (1813), History of the
Bibl. Read, W. H. (1813), Carta aos Senhores Redactores do Investigador Português em Londres, datada de Ponta Delgada, S. Miguel, 28 Julho de 1813. Investigador Português em Londres, VIII (Nov. a Fev. de 1813, n..os 29 a 32). Appendice: 188-191. O Correio Braziliense, ou Armazém Literário (1813), VIII, 57, Fevereiro: 157-165. Leite, J. G. R. (1985), Uma polémica sobre política atlântica no século xix os Açores e o Império Britânico, In I Simpósio Interdisciplinar de Estudos Portugueses (Actas). Lisboa, Universidade Nova, I: 289-317.
