árvore, festa da

A ideia da festa da árvore terá nascido em França na altura da Revolução, mas só muito lentamente no século xix se foi difundindo pela Europa e América. Em Portugal, o debate em torno da educação cívica e educação «republicana» encontrou na festa da árvore um meio de promover esse modelo educativo, apesar da forte contestação de alguns sectores que viam nela uma revivescência de paganismo. Por iniciativa da maçonaria, Grande Oriente Lusitano, realizou-se em Portugal a primeira festa da árvore com esta perspectiva, em Lisboa, em 1908. Posteriormente, em 1912, foi criada pelo grão-mestre-adjunto, José de Castro, a Associação do Culto da Árvore, com o objectivo de propagar, defender e valorizar a árvore, sobretudo entre as crianças.

Nos Açores, as câmaras municipais lideradas por membros da maçonaria, ou próximos dela, iniciaram a festividade nos meios urbanos, mas também em algumas freguesias rurais. Na Terceira, por exemplo, a primeira festa da árvore realizou-se em 15 de Março de 1914, com sessão pública nos Paços do Concelho, cortejo com alunos do liceu e escolas primárias, acompanhados pela banda regimental, que plantaram simbolicamente duas árvores. Cerimónia idêntica foi realizada na freguesia da Agualva. Em Santa Cruz das Flores, no ano de 1916, desfilaram 300 crianças e foram plantadas árvores, na Rua de Santa Catarina, que tinham sido enviadas de Lisboa pelo senador, Dr. José Machado Serpa. No Faial, no mesmo ano, o Batalhão de Infantaria 25 plantou árvores no baldio, no sítio do Grotão e na estrada que a ele conduz. Houve também cortejo de crianças da escola que, para além de plantarem árvores, executaram exercícios de ginástica. Na freguesia do Salão, mais de 140 crianças realizaram cerimónia idêntica.

Segundo os discursos, com carácter pedagógico, pretendeu-se, com a festa, desenvolver um processo educativo de formação e aperfeiçoamento das crianças, valorizando a utilidade da árvore sob o ponto de vista económico, higiénico e estético. As preocupações ecológicas estavam já bem patentes nas alocuções quando se criticava a devastação das florestas. A iniciativa foi caindo em desuso, mas o seu espírito foi recuperado com as iniciativas posteriores do Dia da Árvore e outras semelhantes. Carlos Enes (Set.1998)

Bibl. Ilustração Portuguesa (1916), 15 de Maio. Marques, A. H. O. (1986), Dicionário de Maçonaria Portuguesa. Lisboa, Ed. Delta, I. O Telégrafo (1916), Horta, 27 de Fevereiro. A União (1914), Angra do Heroísmo, 15 de Março e segs.