arruda
HISTÓRIA NATURAL Nome vulgar de Ruta graveolens (Rutaceae). Dicotiledónea. Pequeno arbusto que não ultrapassa os 60 cm, de cor glauca. É originário da Itália, Balcãs e Rússia, em França possivelmente subespontâneo (Vasconcelos, 1944). Na Inglaterra, foi introduzido pelos Romanos e ainda hoje é uma das plantas tradicionais dos jardins. É bastante decorativa devido à sua tonalidade glauca, folhas bipenatissectas e bonitas flores amarelas; não é fétida. Em Portugal, existem três espécies espontâneas Ruta montana, R. angustifotia e R. Chalepensis , todas fétidas (Franco, 1971), mas o mesmo autor não indica nenhuma arruda espontânea nos Açores. Embora seja uma planta frequente nos jardins, não é espontânea neste arquipélago (Dias, com. pes.). Não se pratica propriamente a cultura da arruda nestas ilhas. Em certos anos frutifica abundantemente e das sementes caídas nascem, no Outono, jovens plantas que são distribuídas pelos amigos interessados ou são transplantadas para lugares convenientes.
BREVE HISTÓRIA A arruda é ainda hoje denominada «erva sagrada», talvez por ter sido usada uma vassourinha desta planta para aspergir água-benta nas cerimónias dominicais. Os médicos, nos séculos xvii e xviii, usavam raminhos de arruda na mão esquerda por se acreditar que evitava o contágio das doenças. Durante as grandes epidemias usaram-se colares desta planta com o mesmo objectivo. Os juízes sentavam-se sobre uma almofada de ervas aromáticas, entre as quais se contava a arruda, para os ajudar a suportar o mau cheiro dos prisioneiros e evitar o contágio das doenças de que os desgraçados sofriam. Foram-lhe atribuídas qualidades mágicas, como afugentar as bruxas e o mau olhado. A crença de que tem estes poderes também tem a ver com a sua presença junto das casas. Raquel Costa e Silva (Nov.1996)
MEDICINA POPULAR O chá das folhas desta planta é ingerido como emenagogo, febrífugo e estomacal. Tomado em doses fortes é abortivo, mas pode também ser fatal por atacar o sistema nervoso central. Externamente, é usada para inflamações nos olhos, dores reumáticas e doenças de pele. Nos Açores, é bastante frequente ver-se, nas zonas rurais, um maciço de arruda junto das casas. A R. chalepensis, assinalada por Palhinha (1966), pode substituir a R. graveolens, pois tem as mesmas qualidades (Vasconcelos, 1949). A sua utilização em chá é tida como «muito bom para o útero» e como estomacal, febrífugo e regularizador das menstruações. Sabe-se que também foi usado como abortivo.
Ferve-se 1 litro de água numa chaleira, e deita-se sobre dois raminhos ou uma colher de sopa de arruda, num vaso de barro ou porcelana, e abafa-se. Toma-se três vezes ao dia, na dose máxima de meio litro, adocicado, se possível, com um pouco de mel. Idêntica infusão pode ser tomada em caso de histeria ou de gota. Externamente, utiliza-se uma infusão de um punhado de arruda para 1 litro de água, para acalmar a ciática, nevralgias e reumatismo, bem como para desparasitar de piolhos o couro cabeludo. Raquel Costa e Silva e Francisco Dolores (Mar.1996)
Bibl. Bown, D. (1995), The Royal Horticultural Society Encyclopedia of Herbs & Their Uses. Londres, Dorling Kindersley Ltd.: 345. Franco, J. A. (1971), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. I: Lycopodiaceae-Umbelliferae. Lisboa, Sociedade Astória: 422. Grieve, M. (1975), A Modern Herbal. Londres, G. F. Leylel: 694-96. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açoreanos Afonso Chaves: 68. Thierry, C. (s.d.), Plantas Que Curam. 2.ª ed., Lisboa, Biblioteca Agrícola. Vasconcelos, J. C. (1949), Plantas Medicinais e Aromáticas. Lisboa, Direcção-Geral dos Serviços Agrícolas: 90.
