arraia

O mesmo que raia, nomes vulgarmente dados a várias espécies de peixe, pertencendo todos à família Rajidae. Os peixes desta família são caracterizados por terem a cabeça, o corpo e as barbatanas peitorais fortemente deprimidos, tomando a forma romboidal, por vezes de disco subcircular, e a cauda delgada, bem distinta do corpo, ao longo da qual e de cada lado, se observa uma dobra estreita. Nos Açores, ocorrem as espécies:

Raja bigelowi, que vive no Atlântico Norte, provavelmente em extensas áreas, a grandes profundidades (entre 650 e 2200 m, mas principalmente abaixo dos 1500 m). A cor dos indivíduos varia com a idade (a face superior do disco é, uniformemente, cinzento-escura, com o dorso e a cauda muito mais claros, nos jovens, branco-calcário nos exemplares de crescimento médio e cinzento-pálido a branco-acinzentado nos adultos; a face inferior do disco e as barbatanas pélvicas são sempre castanho-escuras e a cauda sempre, distintamente, mais clara. Esta espécie é conhecida no arquipélago desde Roule (1912) (como R. ackleyi).

R. brachyura, que ocorre desde a Madeira e Marrocos até às ilhas Shetlands, sobre fundos de areia, até cerca de 100 m de profundidade. A face superior do disco é de cor ocre, com manchas escuras, pequenas, numerosas nas suas margens; podem ocorrer algumas manchas claras rodeadas por manchas negras; a face inferior do disco é branca. É conhecida para os Açores desde Fowler (1936) (como R. oculata).

R. clavata, que se encontra nas costas atlânticas, até cerca de 300 m de profundidade, desde a Madeira e Marrocos até à Islândia e à Noruega, e ainda no mar do Norte e no Mediterrâneo. A cor da face superior do disco é muito variável, mostrando todos os tons de castanho, com manchas, de tamanhos variados, claras e escuras, muitas vezes marmoreadas ou produzindo configurações semelhantes a olhos; a cauda mostra, geralmente, listas transversais, claras e escuras; a face inferior é branca, com as margens do disco, muitas vezes, cinzentas. A sua ocorrência nos Açores foi registada por Hilgendorf (1888).

A espécie R. maderensis, do arquipélago da Madeira, referida por Hilgendorf (1888) para os Açores, considerada pouco frequente por Ferreira (1939), pode ter a sua área de distribuição alargada para o arquipélago açoriano, segundo Stehmann e Bürkel (1984) e Lloris et al. (1991). A face superior do disco é de cor castanho-escura com um padrão de manchas claras, irregulares, formando bandas transversais, onduladas, largas, entre bandas, sem manchas, mais estreitas; a face inferior é, predominantemente, branca mas cinzenta no focinho e escura na margem, desde o ponto médio anterior negro na extremidade da cauda, nas axilas das barbatanas peitorais e nas extremidades dos lobos frontais das barbatanas pélvicas, bem como uma grande mancha circular, escura, no meio da cintura escapular e na extremidade do focinho.

As espécies Raja fullonica, R. bathyphila e R. batis são de ocorrência incerta no mar dos Açores.

A carne das raias é gelatinosa e tem um gosto característico. As barbatanas peitorais são a parte utilizada para comer, mas estes peixes são usados, raramente, na culinária açoriana. Luís M. Arruda (Fev.1996)

Bibl. Ferreira, E. (1939), Seláceos dos Açores. Açoreana, 2, 1: 79-97. Fowler, H. W. (1936), The marine fishes of West Africa, based on the collection of the American Museum Congo Expedition 1909-15. Bulletin American Museum Natural History, 70, 1: 606; 2: 607-1493. Hilgendorf, F. M. (1888), Die Fische der Azoren, In Simroth, H. (ed.), Zur Kenntniss der Azorenfauna. Archiv für Naturgeschichte, 1, 3: 179-234. Lloris, D., Rucabado, J. e Figueroa, H. (1991), Biogeography of the macaronesian ichthyofauna. Boletim do Museu Municipal do Funchal, 43, 234: 191-241. Roule, L. (1912), Notice sur les sélaciens conservé dans les collections du Musée Océanographique. Bulletin de l’Institut Océanographique de Monaco, 243: 36. Stehmann, M. e Bürkel, D. L. (1984), Rajidae, In Whitehead, P. J. P., Bauchot, M.-L., Hureau, J.-C., Nielsen, J. e Tortonese, E. (eds.), Fishes of the North-Eastern Atlantic and the Mediterranean. Paris, UNESCO: 163-196.