arpão
Instrumento de arremesso utilizado na pesca ou caça do cachalote, Physeter macrocephalus. O arpão não serve para matar, mas para prender o animal à canoa baleeira, pela linha da baleia. Desenvolvido por um ferreiro de New Bedford, em 1848, estes arpões articulados, Temples gig (Clark, 1954), introduzidos pela baleação americana, foram gradualmente aperfeiçoados pelos ferreiros açorianos até se tornarem instrumentos extremamente equilibrados e eficazes. O arpão compõe-se de uma parte metálica, em ferro forjado (0,74-0,77 m), e de um cabo de madeira (1,93-2,10 m), de secção hexagonal, medindo o conjunto 2,70 a 2,86 m. A parte metálica compõe-se de uma cabeça articulada, a caixa (18-20 cm), o canelo ou cano (± 0,50 m) e o alvado (± 17 cm), de forma cónica, onde encaixa o cabo de madeira. Próximo do eixo que liga a caixa ao canelo, no sentido contrário da ponta, existe um pequeno orifício de 2 mm onde é colocado um pequeno pedaço de madeira, o pino, e que serve para manter a caixa fechada. No interior do corpo do animal, as forças de tracção exercidas faziam que o pino partisse, abrindo a caixa num ângulo de cerca de 70 graus. No canelo, junto ao alvado, era costurado o estropo do arpão que termina numa arsa onde se aguça a linha da baleia, cabo de sisal com duas polegadas e um oitavo por perímetro. À proa da canoa, de pé, o trancador mais alto e possante poderia atirar o arpão mais longe. Todavia, o manejo do arpão implicava, sobretudo, grande precisão. Tinha de ser arremessado com a barba para cima, para que o peso do cabo ajudasse à correcta abertura da caixa, e tinha de ser introduzido numa zona nem muito dura, pois poderia torcer o arpão, nem muito mole, de onde o arpão facilmente se desprenderia. A frente da cabeça e o ampo, saliência lombar, eram as zonas preferidas. Uma variante de menores dimensões era utilizada na captura de toninhas e de peixes de grandes dimensões. Francisco G. A. Medeiros (Set.1996)
Bibl. Barré, M. (1992), Petit Dictionnaire Baleinier, Français-Anglais-Portugais. Supl. Annales de la Société des Sciences Naturelles de la Charente-Maritime. Clarke, R. (1954), Open Boat Whaling in the
