armas de S. Marcos
Assim são designadas as insígnias da Irmandade de S. Marcos, armas do santo patrono dos maridos a quem as mulheres não são fiéis. O Evangelista assinalado na visão apocalíptica pelo boi cedeu a armação deste para identificar no corno, ou numa coroa de cornos ornamentada, a signa dos atraiçoados no matrimónio. A celebração da Festa dos Cornos, escabrosa, mas divertida, no dia 25 de Abril, tornou-se célebre na etnografia das ilhas do Faial, S. Jorge, Pico, Flores e Corvo, onde predominou o povoamento flamengo, donde parece vir esta tradição, de S. Eternou, diocese de Sens, França. Todo o ritual popular corre diferente em cada ilha ao gosto e à boa imaginação dos irmãos da confraria, que estabelecem o protocolo o altar para a coroa ou o corno, a coroação dos irmãos e daqueles que o devem ser por direito de conquista e ainda o não são, o rumo do cortejo hilariante, à tarde, com música, o «sermão dos cornos» em verso, para mostrar as vantagens da confraria, indicar os nomes dos novos irmãos e apaziguar os refractários da irmandade. Os episódios mais divertidos ocorrem ao longo do cortejo, ao parar às portas e as mulheres da casa, em altos gritos, virem defender a honra dos maridos... Todo este desacato não passa de palavras azedas e disputas, não deixando rixas ou futuras desavenças. Tudo volta à normalidade ridendo curat mores. O bom preceito latino também acerta na boa moral cristã. Júlio da Rosa (Set.1996)
Bibl. Arquivo dos Açores (1957), Ponta Delgada, XIII: 191 e segs. Dionísio, M. (1939), Costumes Açorianos. Horta: 45-53.
