arinto

Casta branca de folha pentagonal, grande e subtrilobada; cacho cónico com várias ramificações, médio e trouchado; bago elíptico-curto, pequeno e verde-amarelado, de película medianamente espessa e pruinada, polpa mole e suculenta (Instituto do Vinho e da Vinha: Catálogo das Castas). Desconhece-se a sua principal origem, mesmo no Continente, onde constitui a principal casta da região de Bucelas e está largamente disseminada noutras regiões. Nos Açores, concretamente no Pico, ocupa uma razoável mancha de cerca de 30 ha. Também aqui é desconhecida a sua proveniência, supondo-se que terá chegado ao arquipélago vinda da Madeira. De facto, técnicos no terreno verificam nos cachos uma morfologia um tanto diferente da descrição ampelográfica acima referida. A Universidade dos Açores, entretanto, em colaboração com os Serviços de Desenvolvimento Agrário do Pico, procede a estudos no sentido de obter um conhecimento mais profundo e alargado da variedade mais largamente difundida na ilha.

O arinto é uma das castas recomendadas para os vinhos das três zonas vitivinícolas criadas pelo decreto-lei n.º 17/94, de 25 de Janeiro: Biscoitos, na Terceira e Pico, para a produção de licorosos (vinho licoroso de qualidade produzido em região determinada), e Graciosa, para vinho de qualidade produzido em região determinada. Todavia, excepto no Pico, a presença desta variedade é quase nula. As restantes recomendadas, quer nos Biscoitos quer no Pico, são o verdelho e o terrantês. Contudo, o primeiro licoroso do Pico com direito a denominação de origem, produzido em 1994, para ser comercializado em finais de 1997, contém 80 % de arinto contra 10 e 5 % de verdelho e terrantês, respectivamente, em virtude de ser a casta preexistente mais largamente cultivada. Desde 1994, todavia, estão encepados vários hectares com Arinto trazido de Bucelas, para ensaios sobre a sua adaptação ao solo e clima do arquipélago. Oliveira Figueiredo (Dez.1996)