áreas geotérmicas
As potencialidades geotérmicas das ilhas açorianas encontram-se correlacionadas com a idade de cada maciço vulcânico e com as estruturas geotectónicas mais recentes e activas. No arquipélago dos Açores estão reconhecidas as seguintes áreas geotérmicas: S. Miguel (a) Mosteiros, no extremo ocidental do vulcão das Sete Cidades, ligada a uma estrutura em graben capaz de fornecer 5 MW de energia eléctrica; (b) Lagoa do Fogo, onde está bem identificada a área geotérmica da Ribeira Grande (80 MW) e se encontra em prospecção a área de Vila Franca (40 MW); (c) Lagoa do Congro, a leste do vulcão do Fogo, onde já se reconheceram potencialidades da ordem dos 20 MW; estas 3 últimas áreas relacionam-se com a câmara magmática do vulcão do Fogo e com estruturas em graben, sensivelmente NW-SE, notavelmente activas (alta sismicidade); (d) Furnas, área geotérmica da lagoa e área geotérmica do vale, onde se detectaram potencialidades da ordem dos 45 MW; a primeira área está relacionada com falhas de colapso da última fase caldérica, enquanto a segunda se encontra ligada a fracturas intracaldeira, E- W; (e) Ribeira Quente, a sueste das Furnas, potencialmente fornecedora de 10 MW, estruturalmente ligada a alternâncias de graben/horst e termicamente dependente de massas protofilonianas da câmara magmática do vulcão das Furnas. Terceira (a) Fontinhas, enquadrada no graben das Lajes, com potencialidades da ordem dos 5 MW; (b) pico Alto, no centro da ilha, alimentada por foco térmico profundo mas de estrutura fortemente fracturada, onde se encontram reconhecidos 15 MW geotérmicos; (c) Serra de Santa Bárbara (pico dos Padres), na vertente sul, instalada em falhas radiais e falhas de colapso, termicamente dependente da câmara magmática do cone principal, com potenciais geotérmicos vizinhos de 5 MW. Graciosa Guadalupe, com 5 MW potenciais, correlacionada com o graben do mesmo nome. S. Jorge Fajã de Santo Amaro e, possivelmente, Urzelina, correlacionada com falhas da margem NE do rift Faial-Pico/S. Jorge, com pouco interesse económico mas onde parecem viáveis 1,2 MW geotérmicos. Pico (a) Criação Velha, 5-6 MW; (b) Cabeço da Rocha com possível extensão para a lagoa do Capitão (5-7 MW); (c) Lajes com 5 MW e S. João (3-5 MW) Todas estas áreas encontram-se ligadas a grabens situados ao longo da grande fractura WNW-ESE que condiciona o desenvolvimento vulcânico da ilha do Pico e que se prolonga quer para a vizinha ilha do Faial, quer para a ilha de S. Miguel. Faial (a) Flamengos, com 8 MW potenciais, associada ao sistema geotectónico citado para o Pico e a um sistema termal alimentado pela câmara magmática da caldeira e por aquíferos de diversas origens, inclusivamente oceânica; (b) Capelo, possivelmente relacionada com massas filonianas recentes, ainda em fase muito preliminar de estudo. Nas ilhas de Santa Maria, das Flores e do Corvo, a primeira vulcanicamente extinta e as restantes provavelmente também extintas, não são conhecidas áreas com potencialidades geotérmicas. Na ilha de S. Miguel a área geotérmica da Ribeira Grande já se encontra em fase de exploração rotineira ali se localizando uma central geotérmica piloto Mitsubishi (0,7 MW) e uma central geotérmica industrial Ormat binária (5 MW) que preenchem cerca de 20 % das necessidades eléctricas básicas. V. H. Forjaz (1999)
