Araújo, António de

[N. ilha de S. Miguel, 1566 - m. Espírito Santo?, Brasil, 1632] Filho de Joaquim de Araújo e de D. Ana Pacheco, acompanhou os pais que, em data indeterminada, partiram para o Brasil, ingressando, em 1582, na Companhia de Jesus. No Colégio da Bahia, principal foco de vida intelectual do Estado do Brasil, que viria posteriormente a ser também frequentado por António Vieira, obteve o grau de mestre em Artes, tendo feito a profissão solene a 25.3.1608. Foi professor de Humanidades, pregador e procurador do Colégio baiano, onde conheceu grandes personalidades jesuítas designadamente os Pe.s José de Anchieta e Fernão Cardim. O seu domínio da língua e cultura tupi levou os dirigentes da Província do Brasil da Companhia de Jesus a nomearem-no para cargos de responsabilidade evangelizadora junto das populações ameríndias. Efectuou missões pastorais na serra de Orobó (sertão da Bahia) e junto dos Carijós (Guaranis) na região meridional da América portuguesa (Rio Grande do Sul). Em 1607 era superior da Aldeia de Índios de S. Sebastião (Bahia) e, durante vários anos (até 1628), da Missão dos Carijós. Redigiu, por volta de 1625, uma memória sobre a primeira expedição (1613) que bandeirantes paulistas efectuaram à Amazónia, durante a existência da França Equinocial (Maranhão, 1612-15) e antes da fundação de Belém do Pará (1616), narrativa considerada de grande interesse histórico e etnográfico. A sua fama de reputado tupinólogo foi confirmada pela publicação do Catecismo na Lingoa Brasilica..., editado em Lisboa em 1618 e que conheceu outras edições (Lisboa, 1686, e Leipzig, 1898). Esta obra, muito apreciada pelos contemporâneos e pelas gerações posteriores, baseava-se no princípio, expresso pelo próprio autor, de que a arte da gramática deveria ser usada para aperfeiçoar continuamente o que se aprendesse directamente com os índios. Vieira afirmou, em 1688, que catecismo «tão exacto em todos os mistérios da fé, e tão singular entre quantos se têm escrito nas línguas políticas, que mais parece ordenado para fazer de cristãos teólogos que de gentios cristãos» (Exhortaçam I na vespora do Espirito Santo). Jorge Couto (Out.1997)

Obras principais: (1618), Catecismo na Lingoa Brasilica, no qual se contem a Suma da Doctrina Christã. Com tudo o que pertence aos Mysterios de nossa Sancta Fé & bõs costumes... Lisboa, Pedro Crasbeeck. (1937), Informação da entrada que se pode fazer da vila de S. Paulo ao Grande Rio Pará, que é o verdadeiro Maranhão, chamado também Rio das Amazonas, cuja barra está na costa do mar de Pernambuco contra as Antilhas 340 léguas e da Bahia do Salvador 440. Dada por Pêro Domingues um dos trinta Portugueses que da dita Vila foram descobrir no ano de 1613, In Leite, S., Páginas de História do Brasil. São Paulo, Brasiliana: 103-116.

 

Bibl. Buescu, M. L. C. (ed.) (1992), A Galáxia das Línguas na Época da Expansão Portuguesa. Lisboa, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses: 156-157. Leite, S. (1949), História da Companhia de Jesus no Brasil. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, VIII: 60-62. Rodrigues, A. D. (1996), O Conceito de Língua Indígena no Brasil, vol. I: Os Primeiros Cem Anos (1550-1650) na Costa Leste. Brasília, ANPOLL:12-13. Rodrigues, J. H. (1979), História da História do Brasil, 1.ª parte: Historiografia Colonial. 2.ª ed., São Paulo, Companhia Editora Nacional: 116-117.