araucárias

São resinosas pertencentes à família das Araucariáceas com cerca de 20 espécies. Várias destas espécies foram introduzidas nos Açores nos meados do século xix. No entanto, apenas a Araucaria heterophylla (A. excelsa) teve larga expansão, fazendo parte da paisagem urbana de muitas cidades, vilas e freguesias de todas as ilhas. As outras espécies (A. bidwillii, A. cunninghamii, A. columnaris, A. angustifolia e A. araucana) apenas se encontram circunscritas a alguns parques, principalmente na ilha de S. Miguel. Todas elas são originárias do hemisfério sul – da Oceânia, Austrália e América do Sul. Distinguem-se, facilmente, entre si, pelo formato das suas copas (fig. 1). Nos Açores, quando se fala em «araucária» isso significa Araucaria heterophylla. É uma árvore que pode atingir 60 m, originária das ilhas de Norfolk, situadas entre a Austrália e a Nova Zelândia, muitas vezes conhecida por pinheiro-de-norfolk. Possui copa cónica, com os ramos dispostos em andares, de cor verde-escura, brilhante. Casca escura, resinosa. As folhas jovens e adultas apresentam características diversas. As folhas jovens com 4-10 x 2 mm, verde-pálidas, macias, imbrincadas e decorrentes lateralmente achatadas. As folhas adultas são escamiformes, ovado-triangulares, verde escuras e consistentes com o ápice voltado para dentro. As flores femininas estão dispostas em cones globosos 7-10 x 8-11 cm, terminais mucronados, necessitam de 2-2,5 anos para atingir a maturidade e libertar as sementes que são aladas, achatadas e com a dimensão de 3 x 1 cm. As maiores A. heterophylla do País, situam-se nas Sete Cidades, na ilha de S. Miguel. Esta majestosa árvore mereceu o favor dos morgados dos Açores, que a plantavam frequentemente junto de suas casas. As araucárias tornaram-se, assim, verdadeiros marcos que se destacavam no horizonte e informavam quem por ali passava da dignidade do dono daquela casa. Esses marcos duraram bastante mais do que o poder dos próprios morgados e dos morgadios, mas continuam a assinalar muitas lindas casas senhoriais e conventos.

Aquando da visita régia de D. Carlos e de D. Amélia, em 1901, plantaram-se araucárias pelas ilhas para celebrar o acontecimento (Gonçalves, com. pes.). A razão que levou à sua plantação já foi por muitos esquecida, mas os Açorianos continuam a estimar essas árvores agora quase centenárias. O encontro Nixon-Pompidou, na ilha Terceira, também foi marcado pela plantação de algumas araucárias. A sua beleza e resistência aos fortes ventos que se registam por estas paragens são uma boa razão para a plantar em encruzilhadas. A A. heterophylla é uma planta ornamental de interior, bem cotada, pois desenvolve-se muito bem em vaso. Mas, a despeito das condições naturais existentes, nos Açores, a produção tem sido muito reduzida. Raquel Costa e Silva e Ernesto Goes (Jul.1996)

Bibl. The New Royal Horticultural Society Diccionary of Gardening (1992), Londres, I: 216-217.