aráceas
(Araceae) Monocotiledóneas. Família botânica que inclui 106 géneros e 2950 espécies, trepadeiras com raízes aéreas, plantas herbáceas possuindo rizomas ou falsos bolbos, por vezes pequenos arbustos, raramente epífitas. Muitas plantas desta família são venenosas, outras porém são alimentos de grande valor como, por exemplo, o inhame (Colocasia esculenta), que teve e continua a ter uma tão grande importância na alimentação da população dos Açores. As raízes das plantas desta família não possuem pêlos radiculares, por essa razão estão sempre associadas a micorrizas. As folhas são alternas, dísticas, e podem apresentar nervação muito variada. As flores são muito numerosas e pequenas, podem ser unissexuais ou hermafroditas. As flores unissexuais são geralmente nuas, as flores hermafroditas apresentam perigónio com as tépalas dispostas em dois níveis. Estão agrupadas na spadix. Nas plantas monóicas, as flores masculinas agrupam-se na parte superior da spadix, que tem uma bráctea que pode apresentar coloração e forma muito variada. A polinização é geralmente feita pelos insectos, raramente pelo vento. As moscas são frequentemente as polinizadoras destas flores que têm por vezes cheiro fétido. O fruto pode ser uma baga carnuda ou coriácea ou pode toda a inflorescência transformar-se num fruto múltiplo. Nos Açores encontram-se, com relativa frequência, os géneros: Anthurium, que abrange 700 ou mais espécies e numerosos híbridos, muitos dos quais de origem obscura. Originário da América tropical. Largamente cultivado para obtenção de flores de corte, folhagem e plantas de interior, nomeadamente na Holanda, Alemanha e Colômbia. Em Portugal, os Madeirenses dedicam-se de longa data a esta cultura. Com a expansão da floricultura recentemente verificada nos Açores, o Anthurium para flor de corte tem sido uma das flores pela qual têm optado frequentemente os jovens floricultores destas ilhas. Arisarum, a que pertence a candeia ou capuz-de-frade (Arisarum vulgare), que é um endemismo macaroneso-mauritânico (Palhinha, 1966). O género Arisarum possui apenas três espécies. São plantas vivazes, rizomatosas ou tuberosas, originárias da região mediterrânica, sudoeste da Europa e ilhas Atlânticas. Arum, que é o género da serpentina (Arum italicum), também designada por serpentinola, sapristina e jarro (Palhinha, 1966). Segundo cremos, é a única planta deste género naturalizada nos Açores. As plantas do género Arum são herbáceas tuberosas e originárias da Europa, principalmente do Mediterrâneo e Ásia até aos Himalaias ocidentais. Engloba 26 espécies. Colocasia, a que pertence o inhame (Colocasia esculenta), cultivado há longo tempo nos Açores. Este género engloba seis espécies originárias da Ásia tropical, algumas das quais estão naturalizadas em regiões quentes e húmidas. As plantas pertencentes a este género são herbáceas, vivazes, tuberosas, estoloníferas ou apresentando o caule erecto. As folhas são grandes, inteiras, peltadas, sagitadas ou ovado-cordiformes, glabras e com nervuras pouco evidentes. As flores são unissexuais, nuas e estão agrupadas numa spadix, estando as flores femininas separadas das masculinas. A espata é maior do que a spadix. O fruto é uma baga e produz numerosas sementes que ficam envolvidas pelo tubo da spadix que é persistente. Monstera, que engloba 22 lianas, de folha persistente, epífitas que atingem nas condições ideais mais de 20 m. São originárias da América tropical. Os caules são fibrosos e emitem raízes aéreas. As folhas, nas plantas jovens, são inteiras e mais pequenas, nas plantas adultas chegam a atingir 90 x 75 cm, podendo ser inteiras ou pinatífidas e muitas vezes perfuradas, coriáceas, verde-escuras e brilhantes, com pecíolo longo. As flores são hermafroditas, dispostas numa spadix envolvida por uma espata maior do que a spadix. Os frutos são bagas brancas, muito aromáticas quando maduras, com sementes macias, por vezes comestíveis. Nos Açores, a Monstera deliciosa, a única planta deste género com expressão no arquipélago, por vezes conhecida por costela-de-adão, é cultivada como ornamental de jardim e de interior. Existem numerosos exemplares em jardins públicos e privados. Normalmente forma maciços e alastra junto ao solo. Raramente se torna trepadora, provavelmente porque sendo plantas antigas, sempre propagadas vegetativamente, não têm oportunidade de manifestar características de juvenilidade, uma das quais é o caule delgado, flexível e trepador. Frutifica ao ar livre e em lugares abrigados e os frutos amadurecem, mas as sementes não são férteis. Zantedeschia, a que pertence o jarro (Zantedeschia aethiopiea), também denominado serpentina-brava (Palhinha, 1966), única planta deste género naturalizada nos Açores. Este género engloba seis espécies de plantas herbáceas, perenes e rizomatosas, todas africanas (África do Sul, Angola e Malawi). Os rizomas são subterrâneos, carnudos e muito ramificados. As folhas são lanceoladas a orbiculares com base cuneada, truncada ou hastada, sagitadas a cordiformes, verde-escuras, podendo ou não apresentar-se maculadas, com pecíolos longos e esponjosos. As flores unissexuais estão agrupadas numa spadix, geralmente amarela, com as flores femininas na base e as masculinas, em maior número, na parte terminal. A spadix encontra-se envolvida por uma espata que pode ser branca, verde, amarela, rósea e, por vezes, com uma mancha purpúrea na base. O fruto é uma baga que pode ser verde, amarela ou alaranjada. As sementes são ovóides, por vezes achatadas. Raquel Costa e Silva (Nov.1996)
Bibl. Coutinho, A. X. P. (1913), A Flora de Portugal. Lisboa, Bertrand: 112-113. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açoreanos Afonso Chaves: 171-72. The New Royal Horticultural Society Diccionary of Gardening (1992), Londres, I: 210, 234, 248, 681; III: 257; IV: 734.
