apocináceas

(Apocynaceae) Dicotiledóneas. Esta família engloba 215 géneros e 2100 espécies. Nos Açores, está representada apenas por dois géneros, cada um com uma espécie. As plantas desta família apresentam as seguintes características: «Pequenas árvores, arbustos ou ervas com látex venenoso. Folhas simples estipuladas, com glândulas nas axilas ou acima destas. Flores solitárias ou cimeiras, hermafroditas, actinomórficas, 5-meras; corola com lobos oblíquos de prefloração contorcida. Estames 5; anteras introrsas, estreitamente circundando o estigma. Ovário súpero; carpelos 2, geralmente livres, unidos apenas por um estilete comum superiormente. Fruto bifolículo de 2 folículos fusiformes, geralmente deiscentes pela sutura ventral, raramente só se desenvolvendo um dos folículos» (Franco, 1984).

Género Nerium A que pertence a espécie Nerium oleander, vulgarmente chamada sevadilha ou sevandilha, cultivada frequentemente como ornamental de exterior ao longo de estradas e em jardins. É uma pequena árvore ou arbusto. Existem para cima de 400 cultivares desta espécie.

Apresenta folhas lanceolado-lineares, agudas, coriáceas, subsésseis que podem ser verdes ou variegadas de branco ou amarelo. As flores com 2 a 4 cm de diâmetro podem apresentar as cores mais variadas: branco, creme, rosa, lilás, carmim, púrpura, amarelo e cor de laranja, entre outras. Podem ser simples ou dobradas, perfumadas ou não. Os frutos são folículos erectos castanho-avermelhados. Propagam-se facilmente por estaca. Esta planta é extremamente tóxica, podendo provocar a morte de pessoas ou animais se for ingerida. O manuseamento da folhagem pode provocar irritação na pele.

Género Vinca A que pertence a espécie vulgarmente conhecida por congossa, vinca ou pervinca. Este género engloba seis espécies. Nos Açores, está representado por uma subespécie, Vinca difformis, Subsp. difformis, existente nas Flores, Faial, Pico, S. Jorge, Terceira e S. Miguel, que é uma planta herbácea cujos caules podem atingir 200 cm, prostrados ou ascendentes. As folhas são persistentes, lanceoladas, glabras e com as margens glabras ou mais raramente com alguns pêlos. Os caules floríferos elevam-se verticalmente até 30 cm. As flores são solitárias, axilares, com corola assalveada, com tubo, cujo limbo tem 30-45 mm de diâmetro. Os segmentos do cálice são glabros ou mais raramente ciliados com alguns pêlos ralos. Nos Açores, a corola apresenta normalmente cor azul-acinzentada, o chamado azul de pervinca.

A V. difformis, subsp. difformis, não é cultivada como ornamental. Aquela usada nos jardins é a espécie major. Raquel Costa e Silva (Out.1996)

Bibl. Coutinho, A. X. P. (1913), A Flora de Portugal. Lisboa, Bertrand: 484. Franco, J. A. (1984), Nova Flora de Portugal (Continente e Açores), vol. II: Clethraceae-Compositae. Lisboa, Sociedade Astória: 60-62. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açoreanos Afonso Chaves: 93. The New Royal Horticultural Society Diccionary of Gardening (1992), Londres, I: 197; III: 314; IV: 664.