Anuário da Junta Geral Autónoma de Angra do Heroísmo
Órgão oficial da Junta Geral, publicou-se impresso na Tipografia Andrade, em duas séries. A primeira, com dois números, correspondentes à gerência de 1929-30 e 1930-31, respectivamente, na sequência da reorganização daquela instituição, pelo decreto de Julho de 1928, de inspiração do ministro das Finanças, Oliveira Salazar, que atribuía mais serviços às Juntas Gerais e lhes causava graves dificuldades financeiras. A decisão de publicar o Anuário vinha explicada na nota de abertura, assinada pela Comissão Administrativa presidida por Manuel de Sousa Meneses e afirmava: «dará contas públicas de administração e ao mesmo tempo será o modo fácil de organizar e proteger o rendimento e eficácia dos serviços». Publicou, efectivamente, as contas, os relatórios dos serviços, legislação e mapas resumos de despesas e receitas. Logo no primeiro número saiu um relatório importante, assinado por José *Agostinho e Luís Ribeiro, sobre a remodelação dos serviços de instrução.
A segunda série iniciou-se em 1949, era anual, durou até 1953, sendo duplo o último dos quatro números saídos. As circunstâncias políticas eram diferentes, porque as Juntas já se organizavam com base no *Estatuto dos Distritos Autónomos das Ilhas Adjacentes, publicado em 1940. No novo Anuário, também da responsabilidade de uma junta presidida por Manuel de Sousa Meneses, publicavam-se os circunstanciados relatórios de gerência e justificava-se a iniciativa com a pretensão de: «dar uma prestação pública das contas de gerência, reforçar o pensamento da autonomia administrativa, mostrar o cálculo das nossas possibilidades, demonstrar a conveniência dos procedimentos e justificar as razões das atitudes tomadas».
O Anuário é, seguramente, uma fonte importantíssima para o estudo da administração distrital na primeira metade do século XX. J. G. Reis Leite (2002)
