antropologia (física)
Os primeiros estudos que tratam aspectos da antropologia física (biológica) das populações açorianas datam de 1884, altura em que Arruda Furtado publicou o trabalho Materiaes para o estudo anthropológico dos povos açorianos. Observações sobre o povo micaelense. Este autor realçou o interesse de estudar ilhas oceânicas, dado o seu isolamento, que criaria as condições adequadas à ocorrência de fenómenos evolutivos; trata-se de um trabalho de antropometria, onde foram utilizados caracteres mensuráveis e caracteres descritivos (tais como a estatura, o diâmetro do crânio, a forma geral da face e do nariz e a cor dos olhos e do cabelo), julgados suficientes pelo autor para caracterizar antropologicamente os Micaelenses. Após a publicação de Furtado (1884), a antropologia biológica passou para um plano secundário, dando primazia aos estudos de antropologia cultural. Apenas no fim da década de 70, com o trabalho inicial de Amorim et al. (1979), que visou analisar a variabilidade genética das populações açorianas, se reiniciaram os estudos de antropologia biológica. A investigação empreendida por estes autores foi continuada nos trabalhos de Santos et al. (1994) e de Santos e Amorim (1994). Em termos genéricos pode dizer-se que, nos três trabalhos anteriormente citados, se procurou pôr em evidência mecanismos de genética populacional, tais como o efeito fundador e a deriva genética, mecanismos esses que poderão explicar aspectos da origem das populações açorianas e da sua eventual diferenciação, relativamente às populações continentais. Com o trabalho de Cunha (1986-87), a antropologia biológica das populações açorianas ganhou novo impulso, desta feita com o desenvolvimento, na Universidade dos Açores, de uma linha de investigação na área da biodemografia. De entre os parâmetros estudados, a consanguinidade constitui uma variável preponderante, tendo já sido estudada em várias populações açorianas sujeitas a condições particulares de isolamento (Lima, 1990; Lima e Soares, 1991-92; Lima, 1994; Smith et al., 1992). Maria Manuela Lima (Abr.1996)
Bibl. Amorim, A., Faria, M. A. S. e Pereira, E. L. (1979), Red cell acid fosfatase (ACP1) polimorphism in Flores island (Azores). Trabalhos do Instituto de Antropologia Dr. Mendes Correia, 35: 1-4. Cunha, E. (1986-87), Consanguinity in the Azores Islands, 1971-1985. Antropologia Portuguesa, 4-5: 67-79. Furtado, F. A. (1884), Materiaes para o estudo anthropológico dos povos açorianos. Observações sobre o povo micaelense. Ponta Delgada, Tip. Popular. Lima, M. (1990), Consanguinidade aparente na população da Candelária. Antropologia Portuguesa, 8: 155-164. Lima, M. e Soares, A. (1991-92), Níveis de consanguinidade e endogamia na população das Furnas (São Miguel/Açores). Ibid., 9-10: 33-42.
