António Pereira do Amaral e Filhos
Esta sociedade comercial, em nome colectivo, foi constituída pela escritura de 27 de Janeiro de 1886. A sua actividade era o comércio de fazendas, quinquilharias e géneros de mercearia, com estabelecimento na Rua Conselheiro Medeiros, n.os 32-34, freguesia da Matriz, na cidade da Horta, de propriedade do sócio fundador António Pereira do Amaral e de seus filhos Manuel Pereira do Amaral e José Rodrigues do Amaral. No entanto, a actividade comercial do seu fundador é anterior à data da constituição desta sociedade. Pela escritura de 6 de Dezembro de 1919, transformou-se numa sociedade de quotas de responsabilidade limitada: António Pereira do Amaral e Filhos Limitada, designação que entrou em vigor a partir de 1 de Janeiro do ano seguinte e que ainda hoje se mantém. Com o passar dos anos, o pacto social da firma foi sendo alterado devido à entrada, saída e falecimento de sócios e ao aumento do seu capital social. Gradualmente, a sua actividade circunscreveu-se ao comércio de mercearias por grosso, à correspondência de bancos nacionais (Borges & Irmão, Lisboa e Açores, Nacional Ultramarino, Espírito Santo e Comercial de Lisboa) e de companhias estrangeiras (Morgan & Comp., de Paris, American Express Company, J. P. Morgan & Comp., de Nova Iorque, etc.) e à de agentes na Horta da Companhia de Cimentos Tejo, Fábrica de Tabaco Estrela, Companhia de Seguros Fidelidade, Pneus Mabor, Sociedade de Produtos Lácteos, Sociedade dos Vinhos Borges & Irmão, Mobil Oil Portuguesa SARL, etc. Actualmente, é a representante na Horta da Nestlé Portugal, Fábrica de Tabacos Estrela, de propriedade da Empresa Madeirense de Tabacos, e Míele de Portugal Lda. Coube-lhe, durante o período áureo da aviação no porto da Horta, o abastecimento dos Clippers da Pan American, como agentes da Vacuum Oil Comp. A família Amaral também se destacou no campo da benemerência e da filantropia: durante vários anos realizou, a expensas suas, o Império da Caridade, com a armação do mesmo no canto das ruas O Telégrafo e Conselheiro Medeiros, distribuindo aos mais carenciados esmolas de carne e pão. A respectiva coroa do Divino Espírito Santo continua na posse da família; também apoiou, com doações de natureza vária, o Asilo de Infância Desvalida, tendo por isso a direcção presidida por Tomás Goulart da Silva Júnior, em 25 de Dezembro de 1932, mandado descerrar a foto do benemérito António Pereira do Amaral numa das suas salas, considerado um coração aberto aos melhores sentimentos. Em 1945, seu filho José doou ao mesmo asilo, em testamento, 20 contos. Com 112 anos de actividade, a gerência da firma continua assegurada por três membros da família (5.ª geração): Maria Leonilda de Azevedo Castro Amaral, viúva de Norberto Bulcão Boim Amaral, e suas filhas Berta Maria e Maria Ivone. Carlos Lobão (Mar.1998)
