Antona
Apelido de família exclusivo da ilha Terceira, cuja origem, até hoje, nunca foi explicada, sendo aqui que, pela primeira vez, se apresentam duas hipóteses.
O apelido foi usado pelo povoador Afonso Gonçalves Baldaia, o qual se tem por adquirido ser o conhecido navegador henriquino do século xv, Afonso Gonçalves Baldaia, mais frequentemente designado por Afonso Gonçalves dAntona, o Velho de S. Francisco, que veio para a Terceira no núcleo dos seus primeiros habitantes. Foi casado pela primeira vez com Antónia Gonçalves, de origem castelhana. Ver Baldaia, Afonso Gonçalves de Antona.
As possíveis origens do antropónimo Antona são:
1. Antónia Gonçalves era, como se disse, castelhana. Sabemos que no castelhano, e mesmo no português, existe o nome próprio feminino de Antona (feminino de Antão). É pois muito natural que no meio diminuto e ruralizado em que Afonso Gonçalves veio viver, fosse comummente conhecido e tratado por Afonso Gonçalves de Antona (uma clara referência à mulher, Antona) e, neste caso, seguia-se uma norma que ainda hoje funciona nas comunidades pequenas e fechadas, em que um Francisco de tal é tratado por Francisco da Adelaide, o Manuel, por Manuel da Florinda, etc. Porque não tratar o Afonso Gonçalves, pelo Afonso Gonçalves da Antona? A favor deste hipótese milita a circunstância de, apenas na descendência da primeira mulher ter sido transmitido tal apelido.
2. Afonso Gonçalves Baldaia, navegador e almoxarife das sisas e direitos reais na cidade do Porto, antes de vir morar para a Terceira, poderá ter mantido relações mercantis pessoais ou institucionais com o porto comercial inglês de Southampton ou com mercadores dele. Nos séculos xv, xvi e até xvii, Southampton aparece na documentação portuguesa designada por Antona. Se, de facto, Afonso Gonçalves manteve as tais relações, ou mesmo frequentou o porto de Antona (Southampton), é de aceitar que, por esse motivo, pudesse ser conhecido e tratado como Afonso Gonçalves de Antona.
Todavia, por agora é de preferir a primeira explicação, até que outra, incontroversa e conclusiva, venha a ser apresentada. António Maria Mendes e Jorge Forjaz (Fev.1997)
