anonáceas
(Annonaceae). Monocotiledóneas. Família botânica que engloba 128 géneros e 2050 espécies, entre as quais se encontram árvores, arbustos e trepadeiras. As plantas desta família possuem as seguintes características: folhas simples, dísticas com brilho metálico e sem estípulas. As flores são geralmente hermafroditas, raramente unissexuais, hipogínicas, normalmente 3-meras, frequentemente aromáticas, e abrem antes de os órgãos florais se encontrarem maduros. O perianto apresenta três níveis, cada um com três segmentos, embora haja excepções. Os estames são numerosos e dispostos em espiral, por vezes ligados na base. Os carpelos também são numerosos, livres ou mais raramente ligados formando um único ovário. O ovário é súpero. Os óvulos podem variar de apenas um até múltiplos. As flores podem ser solitárias ou estar agrupadas em inflorescências, geralmente cimeiras. O fruto pode ser um «sincarpo como nas anonas, em que os carpelos frutificados mantêm acentuada concrescência, pelo menos inferiormente» (Vasconcelos, 1969), mas também pode ser um fruto agrupado de bagas distintas, seco, indeiscente ou explosivo. As sementes são frequentemente ariladas, com endosperma abundante por vezes rico em gordura, outras vezes rico em amiláceos. As anonáceas são na maioria tropicais, muitas produzindo frutos comestíveis. Também existe um perfume famoso, Ylang-Ylang, que é extraído da Cannanga odorata, espécie pertencente a esta família.
Nos Açores existe apenas o género Annona, palavra latina que significa alimento. Pertencem a este género cerca de 100 espécies entre as quais se encontram árvores e arbustos de folha persistente ou também parcialmente caduca. As folhas são alternas, inteiras, mais ou menos elípticas, glabras ou pubescentes, pecioladas e aromáticas. As flores, solitárias ou dispostas em inflorescências, são hermafroditas com 3 sépalas, 6 pétalas, muito reduzidas e carnudas, estames e pistilos numerosos. O fruto, grande e carnudo, é um sincarpo. As plantas deste género são oriundas da América tropical e África. Nos Açores, a Annona cherimola é a única espécie deste género cultivada. Originária do Peru e Equador, é relativamente tolerante ao frio, e por essa razão vem sendo cultivada em zonas subtropicais e temperadas quentes, nomeadamente nos Açores, Madeira e Canárias. É designada vulgarmente por anoneira, e o seu fruto, a *anona, também conhecida por «coração de negro», é muito apreciado. Raquel Costa e Silva (Out.1996)
Bibl. The New Royal Horticultural Society Diccionary of Gardening (1992), Londres, I: 183-184. Vasconcelos, J. C., Coutinho, M. C. e Franco, J. A. (1969), Noções sobre a Morfologia Externa das Plantas Superiores. Lisboa, Ministério da Economia, Direcção-Geral dos Serviços Agrícolas: 169.
