Anjos, Luzia dos

[N. Ponta Delgada, 1573 - m. ibid., 14.2.1622] Nascida Luzia de Benevides, uma das filhas de Pedro Afonso e de sua mulher Antónia Mourata, naturais de Ponta Delgada e aí moradores, onde depois veio a ser edificada a ermida de Santa Luzia (também designada «de S. Brás»). Desde criança afeiçoada ao culto de Deus, aos 23 anos, impressionada com uma pregação sobre o Juízo Final, decidiu aproximar-se das chagas de Cristo através de mortificações corporais permanentes (cilícios e disciplinas, vestes grosseiras e ásperas, jejuns rigorosos, privação de repouso e de agasalho), humilhações voluntárias e prática da caridade, esta em especial para com os doentes. Mudou o seu nome para Luzia dos Anjos e ingressou na recém-criada Ordem Terceira de S. Francisco em Ponta Delgada, onde fez o noviciado e professou. Era particularmente devota do Santíssimo Sacramento, da Santíssima Trindade, das Chagas de Cristo, das almas do Purgatório e de Nossa Senhora (nomeadamente do seu mistério dos Reis). Tornou-se conhecida na cidade e na ilha pela assistência prestada aos enfermos e pelos poderes taumatúrgicos que lhe eram atribuídos, realizando-se as curas por meio de orações, por vezes associadas à imposição de mãos e persignações. Após a sua morte, devida a apoplexia, as suas irmãs corresponderam às frequentes solicitações de particulares para obterem os mesmos resultados graças às mesmas orações e à utilização do oratório, de vestes, ou de relíquias de Luzia. Em 1635, as autoridades franciscanas iniciaram as inquirições conducentes à sua beatificação, que nunca veio, contudo, a ocorrer. Margarida Sá Nogueira Lalanda (Fev.1998)

Bibl. Cardoso, G. (1652), Agiologio Lusitano dos Sanctos, e Varoens illustres em virtude do Reino de Portugal, e suas conquistas, Lisboa, Of. Craesbeekiana, I: 433-434, 437. Mont’Alverne, A. (1986), Crónicas da Província de S. João Evangelista das ilhas dos Açores. 2.ª ed., Ponta Delgada, Instituto Cultural, II: 49-59.