anjinho

Nome vulgar da ave marinha Bulweria bulwerii, pertencente à ordem Procellariiformes (família Procellaridae). Para uma discussão da terminologia, desta espécie e de Oceanodroma castro, ver alma-de-mestre. Aspecto geral muito escuro, asas longas e pontiagudas, cauda em cunha. Dimensões médias, intermédias entre os painhos e as pardelas. Sem dimorfismo sexual. Plumagens de adulto e de juvenil semelhantes.

A espécie é pelágica grande parte do ano, alimentando-se no altomar, essencialmente de plâncton, sobretudo durante a noite. É gregária quando regressa a terra para se reproduzir, sendo habitual que o mesmo casal mantenha a sua ligação. Nidifica em cavidades naturais, em rochas, por vezes a certa profundidade. Estritamente nocturna perto da colónia, sendo as crias alimentadas de noite. Ruidosa, emitindo um chamamento característico, nas proximidades da colónia. Deve ter nidificado em S. Miguel, S. Jorge (ilhéu do Topo) e Corvo (Chagas). Aparentemente, e segundo Monteiro et al., a espécie apenas criará, actualmente, perto de Santa Maria, contando o seu núcleo populacional com apenas 50 casais. Estes autores comprovaram também a ocorrência da espécie perto da Graciosa, mas sem confirmarem a reprodução. A postura é de 1 ovo, faltando detalhes sobre a biologia de reprodução nestes locais. Os Açores representam o limite norte da distribuição mundial desta espécie. Desde os tempos em que era fortemente capturada (no século xvi segundo Frutuoso), esta ave deve ter sofrido um grande declínio populacional, no arquipélago dos Açores. Luís F. Matos (Out.1996)

Bibl. Frutuoso, G. (1978-83), Saudades da Terra. Ponta Delgada, Instituto Cultural, 6 livros. Monteiro, L. R., Ramos, J. A., Furness, R. W. (1996), Past and present status and conservation of the seabirds breeding in the Azores archipelago. Biological Conservation, 78: 319-328.