Angústias Atlético Clube
Em Junho de 1922, a convite do Fayal Sport Club, desembarcou na Horta a equipa de futebol do Casa Pia Atlético Club. A sua presença no Faial, além do espectáculo desportivo, lançou o «rastilho» que deu origem ao aparecimento do Angústias Atlético Clube (31.12.1922) e, posteriormente, do Sporting Club da Horta (28.5.1923). O AAC teve como sócio fundador n.º 1 João da Cruz Cristiano, sendo ainda sócios fundadores Miguel Inácio Cardoso, Jaime Maria Soares de Melo (primeiro presidente eleito), José Francisco da Câmara, Guilherme Rosa, João Tavares, José Nunes, Francisco Sousa, Adolfo Wenceslau e João da Rocha. Em 1925, graças ao papel desempenhado pelo Dr. Manuel José da Silva, natural da ilha do Pico e deputado, foi reconhecido como Instituição de Utilidade Pública. A sua divisa é Mens sana in corpore sano; o seu hino tem letra de Ana Adelina da Costa Nunes, poetisa e esposa do sócio fundador José Avelar Nunes, e música de Francisco Simaria (?) ou de Guara Lopes (?); a bandeira é bicolor (preta e branca), quartelada de quatro peças de branco e quatro peças de negro, com as iniciais AAC no canto superior esquerdo; o equipamento das suas equipas é composto por camisa bicolor, calção negro e meias pretas com canhão branco ou, em alternativa, todo negro. Campo de futebol: até 1969 treinou e jogou alternadamente nos campos do Fayal Sport Club (Estádio da Alagoa) e Sporting Club da Horta (Campo das Pedreiras da Doca). Naquele ano inaugurou o seu primeiro campo, também na zona das Pedreiras da Doca, vindo a substituí-lo por outro, em terreno próximo, em 1983. É conhecido apenas por Campo do Atlético. Sede: a sua primeira sede situa-se nos baixos da casa n.º 50 da Rua Conde de Ávila, transitando, em 1924 (?), para a casa n.º 1 da Rua Filipe de Carvalho, propriedade das Obras Públicas do Distrito. Mantém-se aí até 25.12.1944, data que assinalou a inauguração da actual sede situada na mesma rua. Em terreno anexo, foi construído um ringue (inaugurado a 21.5.1950), que funciona como espaço desportivo e cultural. Em 1951 visitou a Horta, a convite do SCH, a equipa de hóquei em patins do Benfica. Esta visita foi pretexto para que entre a direcção do clube, presidida por António da Fraga, e o Benfica se estabeleçam contactos para que o Atlético se tornasse, nos Açores, em mais uma delegação do clube encarnado. Por carta datada de 15.12.1951, o Benfica aceitou o desejo dos faialenses, ficando a ser a sua delegação n.º 78, actualmente a n.º 6. Até meados de 1946, o Atlético repartiu as suas actividades pelos campos desportivo e cultural, sobrepondo-se o primeiro ao segundo. No campo desportivo, tornou-se sócio fundador da Associação de Futebol da Horta (21.10.1930) e da Associação de Desportos da Horta (14.8.1962); as modalidades que tem desenvolvido e acarinhado, exceptuando o futebol, têm-se caracterizado por uma prática não regular e posterior extinção: andebol, basquetebol, atletismo, futebol de salão, natação, vela, water-polo, ciclismo, ténis de mesa, ténis de campo e hóquei em patins (destacam-se os convites ao Núcleo de Propaganda do Hóquei para se deslocar à Horta, em 1951 e 1952). O futebol é a única modalidade com prática regular nos quase 73 anos de vida do clube. Foi nesta modalidade que fez a sua primeira apresentação desportiva, realizando um jogo com a 2.ª categoria do FSC, em 28.10.1923, vencendo por 2-1. A sua equipa principal, além de toda uma série de triunfos e de troféus obtidos, venceu o campeonato da AFH por 21 vezes, a primeira em 1931-32; foi o representante dos Açores à eliminatória Açores-Madeira da Taça de Portugal (1937-38, 1938-39, 1954-55, 1957-58 e 1960-61); vence na época de 1986-87 a Taça Açores. Em 1970, deslocou-se aos Estados Unidos, a convite do Clube União Faialense, de New Bedford. Nas categorias de Juniores e de Juvenis, é campeão dos Açores, respectivamente nas épocas de 1986-87 e 1992-93. A importância do AAC, bem como dos outros clubes locais, não se fica apenas pela sua vocação natural, a desportiva, estendendo-se também à cultural e recreativa através da realização de um vasto conjunto de actividades: teatro, cinema, charanga, biblioteca, boletim informativo, saraus músico-literários, serões dançantes e espectáculos com artistas insulares e do Continente. No entanto, apesar de todo um brilhantismo evidente, foi no teatro que o clube escreveu a sua maior página cultural entre 1935 e 1946, graças aos esforços do professor António Pinheiro de Faria, José Garcia Ávila da Rosa e Dr. José da Silva Peixoto, a que se ligaram os melhores amadores locais: Jerónima Costa Nunes, Manuel Tânger Correia, Alberto Lucas, Raul Barata, etc. O primeiro espectáculo foi realizado a 15.9.1935, com a apresentação das comédias Educação Inglesa e Os Inquilinos do Sr. Zacarias, e um acto de variedades; a última, com a peça em três actos Situação Complicada, em 15 de Agosto de 1946. Os espectáculos foram vividos pelas gentes das Angústias, e as da cidade em geral não os enjeitaram, porque representam uma diversão única na freguesia e na Horta. Em 18.8.1992 foi apresentada a obra Angústias Atlético Clube - Subsídios para a sua História, e no ano seguinte, AAC - Juniores B - Campeão Açoriano de Futebol - 1992-93. Carlos Lobão (Mar.1996)
Bibl. Lobão, C. M. G. (1991), Angústias Atlético Clube - Subsídios para a sua História. Horta, Angústias Atlético Clube. Id. (1993), Angústias Atlético Clube -Juniores B, Campeão Açoriano de Futebol-1992-93. Horta, Angústias Atlético Clube.
