anémona
Também conhecida por flor-do-mar. Ambas são designações vulgares de animais marinhos pertencentes à classe Hexacorallina do filo Cnidaria. São os antozoários dominantes nas costas rochosas. Têm uma forma colunar com uma base circular formada por um disco aderente ao substrato (disco pedal) e a boca situada no polo oposto, rodeada por tentáculos urticantes, geralmente dispostos em círculos. Nalgumas espécies existe uma prega na parte superior encerrando uma depressão circular. Esta prega pode cobrir o disco bucal, quando este se retrai em reacção a uma perturbação ou à maré vazante. As anémonas vivem fixas ao substrato mas podem deslocar-se lentamente sobre o seu disco pedal (Manuel, 1988).
Nos Açores encontram-se as seguintes espécies:
a) Actinia equinia (Actiniidae). É a mais comum na zona de marés, sendo facilmente encontrada nos locais mais húmidos entre as rochas ou em fendas descobertas pela maré vazia.
Possui uma base mais larga que a coluna, que pode estar moderada ou firmemente aderente ao substrato. A boca localiza-se na extremidade de uma elevação, o hipostoma. Os tentáculos são retrácteis, de tamanho moderado, arranjo hexâmero e em número que pode atingir os 200 (Manuel, 1988; Cornelius et al., 1995; Saldanha, 1995). A altura da coluna é de cerca de 30-40 mm (Saldanha, 1995), mas pode atingir 70 mm quando completamente distendida. O diâmetro da base é de 50 mm. A coloração é mais ou menos uniforme, mas pode ser vermelha, verde, laranja ou castanha (Cornelius et al., 1995; Saldanha, 1995). Os animais jovens podem ter pequenas pintas amarelo-esverdeadas ou azuladas na coluna. Os sexos são separados mas não se distinguem sem observação microscópica dos tecidos. A fertilização é interna e a reprodução por viviparidade é habitual e frequente. A longevidade da espécie pode chegar a 3 anos (Manuel, 1988).
Esta anémona vive tipicamente na costa desde o nível superior do médio-litoral até cerca de 20 m de profundidade (Manuel, 1988). Ocorre fixa a qualquer substrato rochoso adequado. Está adaptada a viver periodicamente fora de água, na atmosfera saturada, nas superfícies inferiores das pedras, fendas e buracos, mas prefere zonas de grande hidrodinamismo. Nos níveis mais elevados e expostos predominam as formas vermelhas, mas mais abaixo as formas verdes parecem ser mais abundantes. Quando descoberta pela maré, recolhe os tentáculos para o interior do corpo e contrai-se (Manuel, 1988).
Ocorre desde o Norte da Rússia, ilhas Britânicas, costa oeste-europeia e africana quase até ao equador. Existe também no Mediterrâneo (Manuel, 1988).
b) Anemonia viridis (Actiniidae). Esta é outra espécie relativamente frequente nos Açores. A base é geralmente mais larga do que a altura da coluna que é, no entanto, de tamanho variável. Possui cerca de 200 tentáculos longos e flexíveis, não retrácteis e de cor verde e com a extremidade arroxeada ou rosada. A coluna é avermelhada ou castanho-acinzentada. Possui 1012 cm de altura e ocorre no infralitoral (Saldanha, 1995) até cerca de 20 m de profundidade (Manuel, 1988). O caranguejo da espécie Inachus palangium vive frequentemente em simbiose com esta anémona, parecendo ser imune aos seus tentáculos urticantes. Ana Cristina Costa (Set.1996)
Bibl. Cornelius, P. F., Manuel, R. L. e Ryland, J. S. (1995), Hydroids, sea anemones, jellyfish and comb jellies, In Haynard, P. J. Ryland, J. S. (eds.), Handbook of the Marine Fauna of North West Europe.
