ameixeira

Designação atribuída a diversos arbustos ou pequenas árvores pertencentes à família Rosaceae, género Prunus, que produzem ameixas.

Breve história A ameixeira foi a primeira árvore de fruto cultivada pelo homem. Hoje, as ameixeiras cultivadas para produção de fruto estão divididas em dois grandes grupos: as ameixeiras europeias e as ameixeiras híbridas japonesas. As ameixeiras ornamentais e os porta-enxertos formam um terceiro grupo. As ameixeiras europeias (Prunus domestica) de origem um tanto incerta, supõe-se que serão o resultado da hibridação natural de vários Prunus, possivelmente Prunus cerasifera e Prunus spinosa, que se teria efectuado na região do Cáucaso e do Médio Oriente, de onde são originárias grande número das fruteiras de caroço. Estas ameixeiras são as escolhidas para regiões frias na Europa, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul. As ameixeiras japonesas (Prunus salicina) são originárias da China, onde são consideradas uma «planta nobre», designação que também era atribuída ao bambu, ao crisântemo e à orquídea. Da China, foram introduzidas no Japão há cerca de 2000 anos. Produziam frutos pequenos e de má qualidade. No século xix, foram levadas para os Estados Unidos, onde foram sujeitas a intenso melhoramento, do qual resultaram ameixeiras produzindo frutos de óptima qualidade, grandes, redondos, de cor amarela, vermelha ou púrpura, e que são designadas por «ameixeiras híbridas japonesas». Este tipo de ameixeira é hoje largamente cultivada no Japão, Sul da Europa, África do Sul e Califórnia. É também o tipo de ameixeira que melhor se adapta nos Açores. Não frutifica em regiões frias. A floração é bastante precoce e não consegue vingar onde haja geadas ou temperaturas baixas no início da Primavera. Finalmente, o terceiro grupo inclui plantas ornamentais de grande beleza, como, por exemplo, o Prunus cerasifera «Pissardii», que se cobre, no início da Primavera, de flores brancas ou rosadas. Após a floração surge a folhagem vermelha que se mantém até ao Outono. Porta-enxertos como «Myrobalan B» também pertencem a esta espécie.

Exigências culturais Prefere solos bem drenados, ligeiramente ácidos (pH 6-6,5). Muitas ameixeiras não produzem ou dão produções muito baixas se não beneficiarem de polinização cruzada, embora haja também variedades sui-produtivas, entre as ameixeiras europeias. A presença de abelhas ou outros insectos polinizadores influencia grandemente a produção. Em zonas abrigadas frutificam melhor, facto que está, provavelmente, ligado à maior actividade dos insectos polinizadores nestas condições. Não há polinização cruzada entre ameixeiras europeias e japonesas, mas as ameixeiras japonesas necessitam sempre de polinização cruzada entre si, que muitas vezes é feita à mão, com um pincel, quando as condições climatéricas são desfavoráveis. A poda é outra exigência importante. Nos três primeiros anos procede-se à poda de formação que se destina principalmente à escolha dos ramos nos quais se apoiará de futuro toda a estrutura da árvore. Este tipo de poda variará consoante a forma que se tenha escolhido, previamente, para a árvore adulta. Inicialmente, a forma em vaso foi preconizada como sendo a melhor, por fruticultores como Natividade (1935), e foi a forma adoptada nos Açores por Coderniz Fagundes, um dos técnicos que muito se interessou por esta fruteira. Hoje, adopta-se frequentemente a forma em pirâmide, nomeadamente no pomar modelo em Wisley, R. U. A condução em espaldeira, em leque, também tem numerosos adeptos. Esta técnica permite aproveitar muros voltados a sul em pequenos jardins para cultivar a ameixeira. Num pomar instalado em espaldeira são mais fáceis os granjeios, as colheitas e ainda se podem aproveitar os intervalos entre linhas para realizar outras culturas. Os japoneses continuam a preconizar o «vaso» como a melhor forma para regiões húmidas.

Hábitos de frutificação Os hábitos de frutificação nas ameixeiras europeias e nas ameixeiras híbridas japonesas são bem diferentes. Nas primeiras faz-se em órgãos especializados denominados «esporões», que se diferenciam sobre os ramos de mais de dois anos. Nas segundas também há formação de esporões, mas há simultaneamente produção nos ramos do ano, ou seja, nas varetas, sendo em certas variedades esta última a frutificação mais importante. Como é evidente, a poda é diversa para cada um destes hábitos de frutificação. A fertilização terá de ser condicionada pela idade das árvores e pela análise do solo onde se encontram implantadas, mas as adubações azotadas e ou aplicações de estrume são indispensáveis para uma boa produção. O resumo breve das necessidades mais prementes desta fruteira é suficiente para demonstrar que, embora seja muito rústica, há determinadas exigências que é necessário respeitar para conseguir produções satisfatórias. Os Serviços de Desenvolvimento Agrário na ilha Terceira preservam uma pequena colecção das cultivares usadas noutros tempos e que inclui duas ameixeiras europeias (a Rainha Cláudia e a Stanley) e nove variedades híbridas japonesas. Raquel Costa e Silva (Nov.1996)