âmbar

O âmbar-pardo ou âmbar-cinzento, conhecido no mercantilismo europeu por ambre-gris, forma-se no cachalote, a partir da idade adulta, encontrando-se nos segmentos posteriores do intestino em forma de massas aglomeradas de contorno arredondado, simples ou múltiplas, e com peso, coloração, consistência e cheiro bastante variáveis. É constituído pela matéria negra que segregam os moluscos cefalópodes de que os cachalotes se alimentam. O peso mais frequente de cada aglomerado oscila por algumas centenas de gramas, não sendo raras as massas com algumas dezenas de quilos.

Nos Açores (Capelas, ilha de S. Miguel), um dos maiores pesos encontrados dentro de um único animal e numa única concreção foi de 322 kg. Tratando-se de uma substância húmida, torna-se susceptível de perder mais ou menos peso exposta ao ar. Esta perda ponderal chega em alguns casos extremos a atingir os 50 %. O cheiro é desagradável, fecalóide e mesmo repulsivo nas amostras de extracção recente. Admite-se que o âmbar seja o resultado de um processo patológico de evolução lenta, caracterizando-se, na sua essência, pela aglomeração do material não digerível. O âmbar é insolúvel na água e na água do mar, arde em chama fuliginosa e funde sem crepitação e sem espuma à volta dos 60 °C, e vaporiza-se, completamente, com a libertação do aroma que lhe é peculiar. O principal constituinte químico é uma substância semelhante à colestrina, branca cristalina, que funde entre 82 e 86 °C. Contém ainda um álcool monovalente, a ambreína (C26H43OH2), e também pequenas quantidades de ácido succínico e benzóico, bem como traços de óleos aromáticos. As actuais aplicações quase se reduzem às de agente de fixação e de potenciação de perfumes, impedindo a fugacidade do efeito aromático de um qualquer perfume e aumentando-lhe a fragrância e a suavidade. Como especulação foi utilizado como afrodisíaco, evocador de divindades e propiciatório durante os rituais. Francisco Reiner A. Garcia (Nov.1995)

Bibl. Evans, P. G. H. (1987), The Natural History of Whales and Dolfins. Londres, Christopher Helm. Bockstoce, J. R. (1986), Whales, Ice and Men. The History in the Western Artic. Seattle, University of Washington Press. Figueiredo, J. M. (1946), Introdução ao estudo da indústria baleeira insular. Boletim Pecuário, 2.