Amazonas, os deportados da
Ficaram assim conhecidas aquelas personalidades que em 1810 a regência portuguesa resolveu, sob a acusação de simpatizantes das ideias francesas, deportar, nos dias agitados da Terceira Invasão, para os Açores. Chegaram a Angra a 26 de Setembro a bordo da fragata Amazonas, de onde lhes vem o nome, rodeados da pior fama de hereges, jacobinos e maçónicos, tendo o capitão-geral Aires Pinto de Sousa desenvolvido os maiores esforços, que foram infrutíferos, para evitar o seu desembarque. Obrigado a recebê-los, escusou-se, porém, a aceitar os estrangeiros, que seguiram para Inglaterra (entre eles o célebre Domingos Vandelli, botânico e professor em Coimbra). Os deportados eram largas dezenas e das mais variadas proveniências sociais e culturais e, por isso mesmo, é difícil avaliar a sua actividade em conjunto. Acabaram por não ficar todos em Angra, espalhando-se por várias ilhas. Foram propagadores do ideário liberal nas ilhas, principalmente na Terceira e S. Miguel, onde se fixaram os mais capazes. Com o fim da ameaça francesa, em 1814, foram mandados libertar e regressar livremente a Portugal, tendo alguns, contudo, mantido residência nas ilhas. Como era de esperar, a fama de muitos deles foi altamente negativa, mas outros deixaram bom nome. A lista de deportados foi publicada por Faria e Maia e a apreciação de muita da sua actividade vem descrita em Drummond. J. G. Reis Leite (Set.1996)
Bibl. Drummond, F. F. (1981), Anais da Ilha Terceira. 2.ª ed., Angra do Heroísmo, Secretaria Regional de Educação e Cultura, III: 203, 237. Maia, F. A. F. (1931), Um Deportado da «Amazonas». 2.ª ed., Ponta Delgada, ed. do autor.
