Amaro, Santo

De uma família patrícia romana, viveu no século vi, entre 512 e 584. Nos Açores, é crença popular que ajuda a sarar lesões. Para tanto, prometem-se-lhe oferendas de cera com a forma da parte do corpo em que se manifesta a lesão que se espera venha a ser curada milagrosamente por sua intercessão. Cf: «Prometi a Santo Amaro / dois peitos de cera nova, / se te tirasse as espadas / que hás-de levar para a cova» (Nemésio, FR: 53). Em vez de oferendas de cera, também se prometem de massa sovada ou de *alfenim. Veja-se ainda Nemésio: «No mês de Janeiro, dia de Santo Amaro, o Quiatano das Trunqueiras [...] deixara ao santo barbadinho, na matriz, uma promessa da mulher: [...] dois peitos de massa tenra, muito encruados nos bicos» (Nemésio, «Os Malhados», MPM: 87-88); e Urbano de Mendonça Dias: «[…] não se falava noutra cousa que não fosse na cabeça partida de Pedro Galvão! A D. Chica pegou-se então com Santo Amaro, estava-se perto da sua festa. ela prometeu-lhe uma cabeça de alfenim, levada pelo marido, para ajuda da sua festa» (Dias, 1945: 138).

Em honra deste santo são chamadas pelo seu nome, nos Açores, duas freguesias: uma do concelho das Velas, na ilha de S. Jorge, e outra do concelho de S. Roque, na ilha do Pico, e ainda duas povoações: uma na freguesia da Ribeirinha, do concelho de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, e outra na freguesia de Santa Cruz da Graciosa, na ilha Graciosa, além de um lugar da freguesia de Nossa Senhora da Conceição, da cidade da Horta, na ilha do Faial. Eduíno de Jesus (Jul.1996)