amarilidáceas
Monocotiledóneas. Família botânica (Amaryllidaceae) que engloba cerca de 70 géneros e 1390 espécies, na maioria plantas herbáceas, algumas bolbosas, outras possuindo falsos bolbos ou rizomas. Estes órgãos, subterrâneos, de reserva permitem-lhes resistir a temperaturas elevadas e à secura.
As folhas, geralmente em número reduzido e basais, raramente se encontram no escapo floral. As inflorescências, normalmente na extremidade dum escapo com espata, dispostas em cacho, umbela, ou solitárias. As flores, hermafroditas e zigomórficas ou regulares, são por vezes com coroa como no caso dos Narcissus. O perianto é petalóide, 3+3. Os estames 3+3 são por vezes estaminódios, geralmente introrsos. O ovário é ínfero, resultante da fusão de 3 carpelos, trilocular, é raramente bilocular, com placenta axilar e numerosos óvulos. O fruto é uma cápsula ou uma baga.
Pertencem a esta família numerosas plantas ornamentais de exterior e de interior, algumas das quais se podem cultivar em vasos e ainda como flores de corte. São normalmente tropicais ou subtropicais, originárias da região mediterrânica, da África do Sul e da América do Sul.
Dos géneros desta família, encontram-se nos Açores com relativa frequência:
Amaryllis, que em grego é um nome próprio feminino. Tem apenas uma espécie, Amaryllis belladonna, denominada nos Açores por beladona, dona-bela ou ainda meninas-para-a-escola.
Clivia, de que a única espécie cultivada nos Açores é Clivia miniata. Não tem nome vulgar, embora seja relativamente frequente. Originária do Natal (África do Sul), é uma planta vivaz, de folhagem persistente, verde-escura e brilhante, que floresce principalmente na Primavera. As flores cor de laranja intenso, grandes, dispostas em umbelas, são muito decorativas e ligeiramente perfumadas. O fruto é uma baga, vermelha. Nos Açores, onde tem uma floração um tanto errática, é cultivada como ornamental de jardim, porque se adapta muito bem à sombra e abrigo das árvores. Normalmente não suporta temperaturas inferiores a 10°C, pelo que é cultivada na Europa em vaso, como planta de interior ou em estufa. A propagação faz-se por divisão, separação dos rebentos laterais ou por semente que para germinar necessita de uma temperatura de 21°C. A germinação demora 6 a 8 semanas.
Crinum, de que Crinum bulbispermum, originária da África do Sul, por vezes chamado lírio-da-páscoa, é bastante vulgar nos Açores. Esta espécie possui enormes bolbos com mais de 13 cm de diâmetro, que se alongam formando um pescoço com 30 cm ou mais. As folhas liguladas chegam a atingir 90 cm de comprimento. As flores brancas dispostas em umbela surgem na extremidade do escapo sólido que atinge frequentemente 90 cm. Existe também uma variedade de flores rosadas. Tem sido por vezes cultivado para exportação.
Hippeastrum, conhecido vulgarmente por amarilis. O interesse pelas ornamentais deste género vem aumentando nos últimos anos. Têm-se cultivado os híbridos de grande flor. As amarilis perdem normalmente a folhagem durante o Inverno, mas os grandes bolbos entunicados resistem perfeitamente às temperaturas suaves dos Açores. A partir de Fevereiro surgem os primeiros escapos florais, vigorosos, erectos e ocos, atingindo 30 a 50 cm, dos quais surgem as flores em cores variadas, grandes e vistosas. As folhas surgem com maior ou menor atraso em relação às flores. Para produção de boas flores de corte ou de plantas envasadas floridas é necessário protegê-las. O engrossamento dos bolbos obtidos por divisão pode praticar-se ao ar livre. A multiplicação pode fazer-se por separação dos bolbos que surgem em volta do bolbo inicial, ou por seccionamento dos bolbos, usando a técnica denominada Twin-scaling. A multiplicação por semente é simples, mas dá origem a plantas diferentes da planta-mãe por se tratar de híbridos. As transplantações só devem praticar-se de 4 em 4 anos, porque as raízes são muito susceptíveis.
Narcissus, conhecido vulgarmente por narciso. Segundo a mitologia grega, um jovem muito belo viu, um dia, a sua imagem reflectida num lago e apaixonou-se por ela. Então, os deuses transformaram-no nesta flor que cresce, com frequência, junto dos lagos. Palhinha (1966) assinala a existência de Narcissus tazetta na Terceira e no Faial, fugido da cultura, o que ainda hoje se verifica. É-lhes atribuído o nome vulgar de junquilhos. Esta planta bolbosa produz flores amarelas ou brancas por vezes perfumadas, que podem ser solitárias ou dispostas em umbelas. Nos jardins dos Açores cultivam-se os Narcissus híbridos com notável sucesso, porque se adaptam muito bem aos solos e ao clima destas ilhas. O escapo floral não apresenta folhas, mas apenas uma espata escariosa que protege os botões. O perianto, tubular na base, apresenta seis segmentos e uma coroa frequentemente de cor diferente dos segmentos e que pode ser em forma de trombeta, reduzida a uma pequena taça ou dobrada. Esta planta pode cultivar-se no meio de relvados, em canteiros ao ar livre ou também em vasos. A reprodução faz-se pela divisão dos bolbos ou por semente quando não se tratar de plantas híbridas. Também é frequentemente reproduzido in vitro e pela técnica Twin scaling.
Nerine, cuja designação tem origem em Nereis, palavra grega para designar as ninfas do mar. Tal como as ninfas, estas plantas mostram preferência pelas zonas costeiras. Nos Açores, existe subespontânea e cultivada a espécie Nerine sarniensis, originária da África do Sul. É conhecida por nerine e cravos-de-esperança.
Pancratium, de que Pancratium maritimum, é a única espécie deste género existente nos Açores. A sua existência é assinalada por Palhinha (1966) no Faial (Porto Pim), que cita referências anteriores de Drouët, Watson e Trelease. Raquel Costa e Silva (Nov.1996)
Bibl. Palhinha, R. T. (1966), Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores. Lisboa, Sociedade de Estudos Açoreanos Afonso Chaves: 138-139. Perry, F. (1972), Flowers of The World. Londres, Hamlyn: 22-27. The New Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening (1992), Londres, MacMillan Press Ltd., I: 145-146, 657-658, 760-761. II: 570-572. III: 285-293, 313, 449-450.
