amarantáceas
Família das Dicotiledóneas, baseada no nome genérico Amaranthus, constituída por ervas anuais ou perenes, lenhosas na base ou raramente por subarbustos, de caules erectos ou prostrados, de folhas alternas ou opostas, simples e sem estípulas, de inflorescências espiciformes ou capituliformes ou de glomérulos axilares condensados em espigas ou panículas, de flores hermafroditas ou unissexuais, pequenas e geralmente bracteoladas, de bractéolas pequenas e membranosas, de perianto 2-5 tépalas livres ou adnadas na base, secas e escariosas, de estames 2-5, geralmente opositépalos, de ovário súpero, 2-3 carpelar, sincárpico e unilocular, de fruto com pericarpo membranoso, indeiscente (utrículo) ou deiscente irregular ou tranversal (pixídio). Desta família ocorrem nos Açores, como subespontâneas ou como ocasionais, Achyranthes aspera, Alternanthera caracasana, Amaranthus hybridus, A. retroflexus, A. quitensis, A. blitoides, A. graecizans, A deflexus, A. lividus e A. viridis. As espécies Alternanthera caracasana e Amaranthus lividus são conhecidas pelos nomes de erva-prata e de bredos, respectivamente. Como plantas ornamentais são cultivadas plantas de Amaranthus caudutus, Celosia argentea var. cristata e Gromphena globosa, conhecidas pelos nomes de moncos-de-peru, de crista-de-galo e de perpétuas-roxas, respectivamente.
Achyranthes aspera caracteriza-se por ervas perenes, lenhosas na base e pubescentes, de caules até 1 m longos e erectos, de folhas opostas, largamente ovadas ou rômbicas, curtamente acuminadas e verdes nas duas faces, de inflorescências em espigas terminais, estreitas e compridas, de brácteas 1 e de bracteólas 2, lineares, cristadas e glabras, de flores pediceladas, brilhantes, verdes e erectas, tornando-se deflexas, de perianto cerca de duas vezes tão longo como as bractéolas com 4-5 segmentos lanceolados, de estames unidos na base, fimbriados no ápice e alternopseudoestaminodos e de utrículo rodeado pelo perianto. Esta espécie tem sido indicada como ruderal e como ocasional nas ilhas do Faial e de S. Miguel. Baseado em colheitas do cônsul inglês T. C. Hunt, residente em Ponta Delgada, Watson (1847) indica esta espécie, embora sob a designação de Achyranthes argentea. Mais tarde, Drouët (1866) refere-a para a ilha do Faial com base na informação dada por Watson. Este botânico desfez o equívoco em 1870, opinião que é aceite por Trelease, que a designa, correctamente, por Achyranthes aspera. Hansen (1972) voltou a encontrá-la na ilha de S. Miguel. Desde a colheita de Hunt (Trelease, op. cit.) que não era encontrada em qualquer outra ilha dos Açores.
Amaranthas hybridus é constituída por ervas anuais, de caules erectos e esparsa a densamente pubescentes no cimo, de folhas rombóide-ovadas ou ovado-lanceoladas, de inflorescências especiformes verdes ou avermelhadas, frouxas e flexuosas, por vezes ramificadas, de bractéolas ovado-aristadas, de segmentos do perianto 5, estreitamente ovados, geralmente agudos e subigualando o pixídio. É infestante de campos de cultura e ruderal. Ocorre em todo o arquipélago açoriano com excepção das ilhas do Corvo e da Graciosa. Também existe subespontânea nos arquipélagos da Madeira, das Canárias e de Cabo Verde. Originária da América tropical e subtropical, encontra-se naturalizada e espalhada pelas regiões quentes e temperadas de todo o mundo. Tem havido confusão entre Amaranthus hybridus e outras quatro espécies: A. cruentus, A. hypocondriacus, A. paniculatus e A. powelli (Palhinha, 1966. Carretero, 1985. Paiva in Fernandes e Fernandes, 1987. Aellen e Akeroyd in Tutin et al., 1993. Turland in Press e Short, 1994).
Amaranthus retroflexus é constituída por ervas anuais semelhantes às pertencentes à espécie anterior, mas de caules pubescente-tomentosos no cimo, de inflorescências geralmente mais curtas e densas, de bractéolas aristadas, 1,5 a 2 vezes tão longas como os segmentos do perianto, estes linear-acunheados e mucronulados e de pixídio fracamente muricado. Esta espécie aparece nos sítios fortemente expostos do litoral e nas bermas de estradas. Foi encontrada apenas nas ilhas Terceira (Hansen, 1973) e Pico (Sjögren, 1973). Também tem sido indicada para os arquipélagos da Madeira e das Canárias. É originária da América do Norte, mas actualmente está naturalizada nas zonas temperadas e quentes de quase todo o mundo.
Amaranthus quitensis é caracterizada por ervas anuais semelhantes às da espécie anterior, mas de caules glabros ou puberulentos, de inflorescências com numerosos ramos laterais e de segmentos do perianto com costa média verde. Segundo Hansen (1971, 1974), é uma infestante casual de campos de cultura nas ilhas de S. Miguel e de Santa Maria. Brenan (1961) e Sauer (1967) dizem que esta espécie é originária da América do Sul.
Amaranthus blitoides caracteriza-se por ervas anuais, de caules geralmente prostrados, esbranquiçados, glabros ou pubescentes no cimo e muito ramificados, de folhas oblongo-lanceoladas a obovado-espatuladas, obtusas e com margem membranácea distinta, de glomérulos curtos e axilares, de bractéolas menores que os segmentos do perianto, estes desiguais semelhantes às bractéolas e curtamente acuminados e de pixídio ovóide e subgloboso. Foi encontrado pela primeira vez, nos Açores, em sítios incultos próximo do Aeroporto de Santa Maria, por Hansen (1971), onde é provavelmente ocasional. É originária da América do Norte e actualmente está naturalizada nas regiões temperado-quentes de grande parte do mundo. Tem sido encontrada nos arquipélagos das Canárias e de Cabo Verde (Garcia-Gallo, 1986).
Amaranthus graecizans é formada por ervas anuais de caules até 70 cm longos, geralmente erectos e glabros, de folhas ovadas ou elíptico-romboidais e geralmente agudas, de inflorescências de glomérulos axilares, de bractéolas ovadas e mucronuladas, de segmentos do perianto 3, ovado-lanceolados e agudos, de pixídio levemente muricado e com nervuras verdes e longitudinais quando imaturos. Para os Açores, foi assinalada a sua ocorrência apenas na ilha de S. Miguel (Hansen e Sunding, 1986). Ocorre também na ilha da Madeira e nas ilhas Canárias. Provavelmente é originária da região mediterrânica, mas actualmente encontra-se disseminada por grande parte da Europa, África e Ásia.
Amaranthus deflexus é constituída por ervas perenes de caules prostrados ou prostrado-ascendentes e pubescentes no cimo, de folhas rombóide-ovadas, obtusas com margens miudamente onduladas, de inflorescências em glomérulos axilares ou em panículas espiciformes terminais e geralmente ramificadas na base, de bractéolas 1/3 a 1/2 vezes tão longas como o perianto e ovado-mucronadas, de segmentos do perianto lineares a oblongo-espatulados, de utrículo distintamente maior que o perianto, liso, com 3 nervuras longitudinais e inflado. Aparece em associações antropocóricas como ruderal e por vezes como infestante de campos de cultura. Existe nas ilhas do Faial, do Pico, de S. Jorge, de Terceira, de S. Miguel e de Santa Maria. Também ocorre na Madeira e nas Canárias. Provavelmente originária da América do Sul temperada, encontra-se disseminada em regiões de quase todo o mundo. Foi o zoólogo francês Drouët (1866) quem primeiro indicou esta espécie para os Açores, precisamente as ilhas do Faial e da Terceira, sob o nome de Amaranthus prostratus. Depois das herborizações efectuadas naquelas duas ilhas, verificou-se uma rápida expansão no arquipélago (Sjögren, 1973), mas ultimamente tem-se notado uma estabilização da sua área de distribuição. Esta espécie faz parte do grupo de espécies do género Amaranthus que são cultivadas para utilização alimentar das suas folhas, principalmente como saladas, sendo por isso designadas «verduras». As folhas das plantas ruderais ou infestantes podem ser aproveitadas na alimentação. Julga-se que a sua introdução deva ter sido casual, até porque não se conhece a sua utilização alimentar nos Açores (Paiva in Fernandes e Fernandes, 1987).
A Amaranthas viridis pertencem ervas anuais de caules prostrados a erectos, glabros ou pubescentes no cimo, de folhas romboidais, geralmente emarginadas no ápice, de inflorescências em panículas axilares curtas e panículas terminais compridas e delgadas, de bractéolas 1/3-2/3 vezes tão longas como o perianto, ovadas e acuminadas, de segmentos do perianto 3 e ovado-oblongas e de fruto tão longo como o perianto, muito rugoso e deiscente irregular. É frequente em associações antropocóricas como ruderal e como infestante de campos de cultura. Foi o especialista português da família das Amarantáceas, Cavaco (1976), quem primeiro indicou esta espécie para os Açores, precisamente nas ilhas das Flores, do Pico, de S. Jorge e de S. Miguel. Ocorre também na Madeira e nas Canárias (Garcia-Gallo, 1987. Hansen e Sunding, 1985). De origem incerta, actualmente encontra-se nas regiões tropicais e subtropicais de todo o mundo. Segundo Vasconcellos (1985), as folhas de Amaranthus viridis podem ser utilizadas como «hortaliça». José Ormonde (Jul.1996)
Bibl. Brenan, J. P. M. (1961), Amaranthus. Watsonia, 4, 6: 261-280. Carretero, J. L. (1985), Consideraciones sobre las amarantáceas ibéricas. Anales del Jardín Botánico de Madrid, 41, 2: 271-286. Cavaco, A. (1976), Les Amaranthus de Madère et des Açores. Boletim da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, 16: 79-89. Fernandes, A. e Fernandes, R. B. (eds.) (1987), Iconographia Selecta Florae Azoricae. Conimbriga, Secretaria Regionali Culturae Regionis Autonomae Azorensis, 2, 1: 1-178, tab. 53-83. Garcia-Gallo, A. (1986), Contribución al estudio del género Amaranthus L. (Amaranthaceae) en las Islas Canarias. Vierraea, 16: 237-44. Hansen, A. (1971), Contributions to the flora of the
