Amaral, Nicolau Maria Raposo do

[N. Ponta Delgada, 1737 - m. 1816] Filho de Nicolau M. Caneva, cônsul genovês em Ponta Delgada e de D. Sebastiana Margarida de Melo, emigra por volta dos 18 anos para o Brasil, onde se inicia na vida mercantil. Volta na década de 1760 para S. Miguel, onde funda a sua casa comercial, estruturando-a segundo as directrizes mercantilistas de Pombal, contactando de perto com algumas das principais figuras da burguesia pombalina. Homem-chave na economia micaelense com amplos interesses no comércio colonial com o Brasil, é um verdadeiro capitalista do Antigo Regime, dedicando-se a vários sectores da economia: exporta bens agrícolas disponíveis no arquipélago e no retorno importa produtos coloniais; investe no comércio de cereais, tornando-se arrematador dos dízimos reais e grande proprietário; é armador e inicia-se no sector secundário com uma manufactura de salga de peixe e carne. Todo este movimento económico se estrutura numa rede de correspondentes/comissários espalhados pelas ilhas, Continente, Rio de Janeiro e Pernambuco e que o mantêm a par de todo o negócio. O crescimento económico de sua casa leva-o a ser designado «comerciante de grosso trato» e a ser agraciado com a Ordem de Cristo. Obtém em 7.11.1779 carta régia de brasão de armas de Pereiras, Melos, Raposos e Amarais. Compra o Colégio dos Jesuítas de Ponta Delgada, fixando aí residência. Casa com Isabel Jacinta da Silveira. Margarida Vaz do Rego (Mar.1996)

Fontes. Universidade dos Açores (Serviços de Documentação, Ponta Delgada). Arquivo José Maria Raposo do Amaral. Copiadores de correspondência, 10 vols. (1776-1805).

 

Bibl. Azevedo, F. S. A. (1986), Algumas palavras sobre dois documentos heráldicos do arquivo Raposo d’Amaral. Arquipélago (História), Ponta Delgada, 8: 69-82. Cordeiro, C. (1985), Relações comerciais de Nicolau Maria Raposo do Amaral com o Brasil (1775-1784). Sep. do Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Angra do Heroísmo. Leite, J. G. R. (1971), Administração e economia dos Açores, 1766-1793. Arquivo Açoriano, Coimbra, XVI. Machado, M. V. R. (1994), Produções Agrícolas. Abastecimento. Conflitos de Poder. Ponta Delgada, Ed. Jornal da Cultura. Id. (no prelo), Atlanticidade da economia micaelense de Setecentos. A casa comercial de Nicolau Maria Raposo, In Actas do IV Congresso Internacional das Ilhas do Atlântico. (Canárias, 1995). Sachet, C. (1988), Aspectos da sociedade micaelense no final do século xviii, segundo cartas de Nicolau Maria Raposo do Amaral. Insulana, Ponta Delgada, 44: 43-97.