Amaral, João Bosco Soares Mota
[N. Ponta Delgada, 15.4.1943] Deputado e presidente do Governo Regional. A infância vivida no seio de uma família religiosa marcou profundamente a vida de Mota Amaral. Desde cedo, revelou o gosto pela leitura, distinguindo-se como aluno brilhante nos ensinos primário e secundário. Em 1960, ao terminar o curso liceal, recebeu o prémio nacional da mais elevada classificação (19 valores) em todo o país. Em 1965, licenciou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, tendo concluído, no ano seguinte, o curso complementar de Ciências Político-Económicas, apresentando uma dissertação sobre Responsabilidade Civil da Administração Pública.
Desligado das lutas estudantis, empenhou-se na militância religiosa como membro do Opus Dei, desde 1961, organizando colóquios e chefiando, em1965-69, a redacção da revista Rumo. Exerceu a advocacia em Lisboa, desde 1967, especializando-se em questões de Direito Administrativo e de Direito Fiscal, transferindo, em 1975, o seu escritório para Ponta Delgada.
Em 1969 iniciou a actividade política por influência de Marcelo Caetano. Foi candidato independente pela União Nacional, pelo círculo de Ponta Delgada, na mais renhida campanha eleitoral dos Açores, em que a oposição obteve uma elevada votação. Nesta legislatura, interveio em várias questões relacionadas com o arquipélago e conseguiu obter a abolição das barreiras alfandegárias entre as ilhas. Como membro da Ala Liberal, apresentou com Francisco Sá Carneiro um projecto de revisão constitucional, em 1970, preconizando reformas democráticas ao regime e a autonomia das colónias. Defensor de uma abertura gradual, nem sempre acompanhou as posições mais progressistas tomadas por outros elementos da Ala Liberal. Nas eleições de 1973, foi o único membro do grupo a continuar como deputado. Nesta função, integrou delegações oficiais portuguesas para as negociações do Tratado de Comércio com a Espanha e representou Portugal no Grupo de Trabalho da OCDE sobre Dupla Tributação.
A partir do 25 de Abril de 1974, Mota Amaral tornou-se uma figura de primeiro plano na política portuguesa. Foi um dos fundadores do Partido Popular Democrático, desempenhando vários cargos directivos a nível nacional e regional. Foi vice-presidente da Comissão Política Nacional do Partido Social-Democrata, em 1995-96, e presidente do Conselho de Jurisdição Nacional, em 1996; nos Açores, foi presidente da Comissão Política Regional até Dezembro de 1995. Desde as primeiras eleições democráticas, foi eleito deputado à Assembleia Constituinte e à Assembleia da República, mas os mandatos foram suspensos, em 1976-1995, para desempenhar o cargo de presidente do Governo da Região Autónoma dos Açores. Durante estes anos, o seu contributo foi fundamental para a construção da unidade açoriana e do regime autonómico, utilizando uma estratégia de confronto com o poder central sempre que eram ameaçados os objectivos traçados. Como presidente do Governo, revelou uma vertente «fontista», dotando a Região de importantes infra-estruturas, nomeadamente, portos, aeroportos e estradas. Foi, até ao termo das suas funções como presidente do Governo Regional, a pessoa com o maior número de anos consecutivos no exercício de um cargo governativo, previsto na Constituição.
No «Verão quente» de 1975, perante a ofensiva comunista, manteve contactos com os separatistas açorianos: ajudou a escrever os Estatutos da Frente de Libertação dos Açores e discutiu, com organizações internacionais, apoios e financiamentos para o movimento.
Para além dos cargos referidos, participou e dirigiu várias conferências internacionais relacionadas com as regiões insulares. Fez parte da comissão nomeada pela Junta Governativa para redigir o Projecto de Estatuto Provisório da Região Autónoma dos Açores. Foi, ainda, por inerência, conselheiro de Estado, membro do Conselho Superior de Defesa Nacional, do Conselho da Segurança Interna e do Conselho Superior de Informação. Foi condecorado, em 1984, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique; em 1989, recebeu, do presidente da República Francesa, o Grande Oficialato da Ordem de Mérito; em 1995, recebeu o título Doutor Honoris Causa, em Ciências Económicas, pela Universidade dos Açores, e, em 1996, recebeu a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo. Após a saída da presidência do Governo Regional, exerce na Assembleia da República o cargo de vice-presidente da Mesa do Parlamento. Tem numerosos artigos dispersos por jornais e revistas, de carácter essencialmente político. Carlos Enes e Artur Teodoro De Matos (Mai.1997)
Obras principais: (1980), Compromisso para o Progresso. Discurso proferido pelo Presidente do Governo Regional dos Açores na inauguração da primeira central geotérmica. Ponta Delgada, Direcção Regional da Comunicação Social. (1981), As ilhas portuguesas Atlânticas e a adesão de Portugal às comunidades europeias. Lisboa. (1988), Mandato Novo, Vida Nova, Discurso no acto de posse e na investidura parlamentar do IV Governo, Região Autónoma dos Açores. Ponta Delgada, Região Autónoma dos Açores. (1990), O Desafio Insular. Ponta Delgada, Ed. Signo / Debates. (1994), O Caminho da Vitória. Ribeira Grande, PSD/Açores. (1995), Autonomia e Desenvolvimento - um projecto para os Açores. Ponta Delgada, Ed. Jornal de Cultura.
