Amaral, Adelaide

[N. Ponta Delgada, 18.8.1837- m. Rio de Janeiro, 13.9.1899] Actriz luso-brasileira. Aos 7 anos de idade emigrou para o Brasil (1844), fixando-se no Rio de Janeiro. Nesta cidade viveu depois quase sempre. Também passou temporadas no Recife e em Porto Alegre, que, depois do Rio de Janeiro, eram, nessa altura (2.ª metade do século xix), as cidades do Brasil com vida literária e teatral mais intensa. Foi casada com o actor Pedro Joaquim da Silva Amaral, cujo apelido adoptou.

Estreou-se pelo meado dos anos 50, quando a tragédia clássica e o dramalhão histórico ultra-romântico já começavam a ceder lugar nos palcos brasileiros ao drama de casaca - o teatro de actualidade -, talhado por um figurino importado directamente de Paris em traduções de Dumas Filho, Sardou, Augier, Scribe, etc., a que Pinheiro Guimarães, com a sua História de uma Moça Rica (1861), Sizenando Nabuco, com O Cínico (1861), França Jr., com Tipos de Actualidade (1862), etc., deram rosto brasileiro, escrevendo dramas e comédias inspirados na realidade social brasileira da época. Adelaide Amaral deixou o nome ligado a este movimento renovador do teatro no Brasil, interpretando com enorme êxito os papéis das protagonistas das peças atrás referidas e de outras da mesma escola. Por esse tempo, com pouco mais de 20 anos, já era considerada pela crítica e pelo público uma das maiores comediantes do Brasil. A sua rivalidade com a actriz Eugénia Câmara, também de origem portuguesa, alvoroçou em 1865 as noites do Teatro Santa Isabel, do Recife, e deu origem a uma famosa pugna literária entre os poetas Castro Alves, por Eugénia Câmara, e Tobias Barreto, por Adelaide Amaral. Ainda assistiu ao triunfo do realismo na cena brasileira (último quarto de Oitocentos), acabando os seus dias pelo final do século, quando o público já começava a virar as costas ao drama e à comédia realistas para aplaudir a revista, a opereta, a mágica e outro teatro de divertimento. Eduíno de Jesus (1998)