alvéola-cinzenta
Nome vulgar de Motacilla cinerea (Motacillidae), ave pertencente à ordem Passeriformes. Também conhecida por *arvelinha na ilha de S. Miguel, segundo Bannerman e Bannerman (1966). Padrão cinzento (partes superiores) e amarelo (inferiores). O macho em plumagem de Verão tem a garganta preta. Está sobretudo associada a meios fluviais, mas exibe alguma amplitude de habitat. No arquipélago açoriano ocorre uma população endémica, Motacilla cinerea patriciae, referida para todas as ilhas (Le Grand, 1983, Bannerman e Bannerman, 1966); é considerada sedentária, comum e bastante distribuída em termos de habitat, podendo mesmo ser encontrada em altitude. A sua grande ubiquidade é enfatizada por Bannerman e Bannerman (1966), tendo esta alvéola sido observada em praticamente todos os meios, desde a linha de rebentação da costa até altas árvores, passando pela berma de caminhos. Aparentemente, para além de condições ecológicas favoráveis, nomeadamente alimentares (a entomofauna é abundante), esta espécie goza de um certo estatuto de protecção privilegiado, em termos da população indiferenciada, não havendo perseguições nem destruição de ninhos. Os indivíduos da subespécie patriciae, embora semelhantes aos que ocorrem na Madeira (subespécie schmitzi), possuem, além de diferenças algo subtis na plumagem, um bico sensivelmente mais comprido. Em termos de reprodução, a alvéola-cinzenta, embora também ecléctica no que se refere à tipologia de nidificação, parece preferir uma cavidade num muro para fazer o ninho. Este é feito com cuidado, de folhas e diversos filamentos vegetais, sendo a cama revestida de lã e pêlos (por vezes material vegetal e penas). Existem registos de posturas desde meados de Abril, pensando-se que ainda ocorram até Julho. Provavelmente as aves que nidificam a maiores altitudes começarão a pôr mais tarde. Acredita-se que a maioria dos casais faça duas posturas anuais. Aparentemente, 5 (4) ovos constituem a postura mais frequente. A incubação deve rondar os quinze dias, devendo os jovens abandonar o ninho com pouco mais de uma semana. As dimensões dos ovos de M. cinerea patriciae, quando comparadas com a subespécie do continente europeu (M. c. cinerea), são consistentemente maiores (dados de Bannerman e Bannerman, 1966, que referem também elementos de J. de Chavigny e Mayaud, 1932, Knecht, 1961 e Scheer, 1957). Luís F. Matos (Out.1996)
Bibl. Bannerman, D. A. e Bannerman, W. M. (1966), Birds of the
